UFABCiência

Matérias especiais sobre Divulgação Científica que são publicadas no informativo interno da UFABC, o Comunicare.


img 3 materia ufabcienciaTendo como base o tema de 2016 da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) "Ciência Alimentando o Brasil", o UFABCiência e o Prof. Dr. Paulo de Ávila Jr., coordenador do projeto de extensão “Bioquímica nos alimentos e introdução à educação alimentar”, lançam uma série de textos que relacionam conhecimentos científicos aos alimentos. O primeiro texto parte de um conhecimento popular para analisar o impacto de uma combinação alimentar na absorção de ferro pelo organismo.

POR QUE CHUPAR LARANJA APÓS COMER FEIJOADA?

Há diversos conhecimentos populares que relacionam laranja com feijoada. Mas, por que ingerir laranja após comer feijoada? Poderia ser outra fruta? A ingestão de laranja seria importante apenas quando se come feijoada?

Para responder, é necessário lembrar que o ferro (símbolo Fe) pode ser encontrado na natureza em três diferentes estados de oxidação: Fe0 (quando o átomo apresenta a mesma quantidade de prótons [cargas positivas] e elétrons [cargas negativas]); Fe2+ (2 elétrons a menos que a quantidade de prótons); e Fe3+ (3 elétrons a menos). Além disso, saber que nas carnes, o ferro pode ser encontrado associado a um grupo chamado heme [figura 1] e, por isso, é denominado ferro heme. Nas hemoglobinas e mioglobinas o ferro apenas quando na forma Fe2+ interage e possibilita o transporte do gás oxigênio no sangue. Uma alimentação deficiente em ferro poderia provocar anemia ferropriva.

Nos vegetais, o ferro é encontrado na forma Fe3+ e não está associado a grupos. Nos casos em que o ferro está numa forma livre, ele é denominado ferro não heme. Ferro não heme também pode ser encontrado em cereais matinais e ovos. Entre parênteses é apresentada a quantidade de ferro presente em 100g de alguns alimentos: peito de frango cozido sem pele (0,3mg); bisteca de porco grelhada (1mg); ovo (1,5mg); feijão preto cozido (1,5mg); contrafilé bovino cozido sem gordura (2,4mg).

A absorção do ferro heme é maior que a de ferro não heme (conforme os alimentos considerados, a absorção pode variar de 2 a 15 vezes). A composição da alimentação pode influenciar nessa absorção e o ferro precisar estar solubilizado na forma Fe2+ no intestino, cuja formação a partir de Fe3+ (presente no feijão) ocorre na presença de vitamina C [ácido ascórbico, figura 2], facilitadora da absorção. A vitamina C também pode formar um complexo ferro-ascorbato, o qual é solúvel no intestino e possibilita e aumenta a absorção de ferro pelo organismo. Entre parênteses é apresentada a quantidade de vitamina C presente em 100g de alguns alimentos: banana (10mg); laranja (47mg); couve (128mg); goiaba (302mg); pimentão verde (720mg).

Sendo assim, muitas combinações alimentares benéficas à absorção de ferro poderiam ser feitas, além da ingestão conjunta de feijão cozido e laranja.

Figura 1: Estrutura química do grupo heme. Figura 2: Estrutura química da vitamina C (ácido ascórbico).
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Referência: SBQ (site abaixo). Referência: Bibliografia 2.

 

Bibliografia BORTOLINI, G.A.; FISBERG, M. Orientação nutricional do paciente com deficiência de ferro. Rev. Bras. de Hematologia e Hemoterapia, v.32, supl.2, p.105-113, 2010. FIORUCCI, A.R.; SOARES, M.H.F.B.; CAVALHEIRO, E.T.G. A importância da vitamina C na sociedade através dos tempos. Química Nova na Escola, n.17, p.3-7, 2003.

AUTORES

Tainá Maiara Farias Graduanda no Bacharelado em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC. Técnica em Química. Aluna de iniciação científica no Programa Pesquisando Desde o Primeiro Dia (PDPD) sob orientação do Prof. Dr. Paulo de Avila Junior.

Prof. Dr. Paulo de Avila Junior ( CCNH ) Licenciado e Bacharel em Química, Doutor em Ciências, área Bioquímica, com ênfase em educação científica, todos pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo. Coordena um subprojeto do PIBID/UFABC na área de Licenciatura em Química.

Franklin Monteiro Molitor

Escolha do Tema

A escolha deste tema decorre de uma necessidade que o pesquisador teve em sua prática como professor. O mesmo procurava um texto que continha mais do que as propriedades básicas do triângulo aritmético e também demonstrações matemáticas rigorosas de cada uma delas.

A carência de bibliografia em português deste tema também foi um fato que despertou a atenção do pesquisador, sendo incentivado para o presente trabalho.

Quando ministrava aulas de análise combinatória e probabilidade, o pesquisador apresentava o triângulo aritmético e observava como os alunos viam com certo espanto os resultados que se encontravam nele, até mesmo os alunos menos interessados faziam muitas perguntas. Perguntavam como algumas sequências apareciam, várias vezes o pesquisador explicava, mas outras vezes tinha que assumir que não sabia. Perguntavam também se haviam mais propriedades além daquelas apresentadas, se haviam outras e se poderiam haver outras que ninguém ainda tinha descoberto. Isso fornece uma perspectiva ao aluno e aos outros envolvidos no processo, como professores, que a matemática não é algo pronto e acabado, resultado da construção humana, que ainda é possível fazer novas descobertas, mesmo na atualidade.


O que é o triângulo aritmético?

O triângulo aritmético é bastante conhecido historicamente por conter muitos padrões numéricos como sequências, somatórias, combinações, coeficientes binomiais etc. Ele funciona a principio como uma brincadeira com aritmética, ou seja, com a operação da soma.
Toma-se um elemento gerador, que normalmente é o número 1, mas pode-se usar qualquer número. Cada elemento deve ser a soma dos dois elementos que estão logo acima dele, se não houver dois elementos ele deve ser igual ao elemento gerador.

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Triângulo Aritmético

Ele foi amplamente estudado por Blaise Pascal no século XVII, porém ele é conhecido pelos chineses desde o século XIII, que já o consideravam um triângulo mágico por conter números muito complicados de se calcular na época.

Dissertação

Esta dissertação está dividida em três partes:
1 - Estudo detalhado do Tratado do Triângulo Aritmético de Pascal de 1654 com uma modernização da linguagem matemática e uma abordagem mais rigorosa nas demonstrações de suas propriedades contendo: 19 consequências e 01 problema; Ordens Numéricas; Combinações; Divisões de apostas em jogos; Potências de Binômios.
2 - Propriedades: Combinação; Relação das Diagonais; Sequência de Fibonacci; Sinais Alternados; Números Figurados e Piramidais; Potência de Binômios e Trinômios; Partição de Combinações; Matriz de Pascal; Forma Quadrática; Plano Aritmético.

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3 - Um plano de aula contendo o enunciado das propriedades com métodos de preparo de uma apresentação aos alunos com justificativas em linguagem simples para que a aula fique mais dinâmica e interessante. Pode ser lido tanto por professores quanto por alunos mais avançados.

Perfil

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Nome: Franklin Monteiro Molitor
Graduação: Licenciatura em Matemática – Universidade de São Paulo
Pós-Graduação: PROFMAT – Universidade Federal do ABC
Trabalho Atual: Professor de Matemática na ETEC Parque da Juventude, São Paulo

 

A partir do dia 15 de julho a seção de Divulgação Científica da Pró Reitoria de Extensão da UFABC estará presente todas as quartas-feiras na Sabina Escola Parque do Conhecimento. 

A Sabina é um dos principais centros de ciências do Estado de São Paulo e o objetivo desta parceria é que a UFABC contribua com projetos e atividades que possam ser desenvolvidas neste importante equipamento da região como: ações de divulgação científica para crianças e público no geral, capacitação de professores etc reforçando o elo entre ciência e sociedade.

Instalada em uma área total de 24 mil m², possui 11 mil m² ocupados pelo prédio principal e 3 mil m² é para o Planetário, que é um dos 5 maiores planetários do país.

Totalizando 14 mil m² de área construída a Sabina abriga em seus dois pavimentos: simuladores, pinguins, serpentes e peixes. Além de inúmeros equipamentos e experimentos na área da física, química e biologia, exposições temporárias, laboratório musical, biblioteca, auditório e salas de aula.

Estamos recebendo propostas de projetos e atividades.

Venha conhecer este magnífico espaço da região referência no país.

Estamos à disposição, todas as quartas-feiras na Sabina, na administração do parque.

UFABCiência
Contato: Seção de divulgação científica
tel: 3356 72 86
e-mail: dc@ufabc.edu.br

 

“Os projetos de Tecnologia Social promovem mais do que trabalho e renda, transformam as pessoas em agentes de mudanças dentro das comunidades.“

A tecnologia social engloba a produção de métodos, técnicas, processos, serviços ou produtos inovadores que valorizam a inclusão e a transformação social e são desenvolvidos num processo que une o conhecimento científico ao saber popular, envolvendo valores éticos, sociais e ambientais. O estudo analisou o movimento da tecnologia social no Grande ABC Paulista, com ênfase na experiência de um grupo de cooperativas, a Cooperativa Central dos Catadores e Catadoras do Grande ABC (Coopcent ABC) oriunda da união de três pequenas cooperativas de recicláveis (Cooperlimpa de Diadema, Cooperma de Mauá e Cooperpires de Ribeirão Pires) que desejavam fortalecer organizações de catadores nos municípios da região e promover melhorias na coleta, triagem, armazenamento e comercialização dos resíduos, viabilizando a venda coletiva com melhores preços de comercialização.

A tecnologia social implementada pela Coopcent ABC é a metodologia de fabricação de vassouras e varais originados de garrafas pet. Foi criada por um membro da comunidade de catadores, Sr. Claudinei de Lima, que inventou um equipamento para cortar as garrafas pet em fios e idealizou o processo produtivo para a fabricação da vassoura e do varal de pet, promovendo geração de renda e melhoria do meio ambiente.

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Ciência e tecnologia (C&T) estão cada vez mais presentes em nossa cultura, influenciando um novo modelo de sociedade e ressignificando continuamente o modo de viver. O conhecimento científico, que antes era concentrado somente em elites, hoje está sendo cada vez mais popularizado com a finalidade de levar às pessoas melhor qualidade de vida, capacidade de refletir sobre os impactos da C&T no cotidiano e o direito de se tornar um elemento social ativo para assim chegar o pleno exercício da cidadania.

Sob essa perspectiva, a divulgação científica se faz importante e necessária. Suas potencialidades destacam-na como instrumento reflexivo sobre as relações entre ciência, tecnologia e sociedade (CTS). Responsabiliza-se por democratizar os saberes e valores da C&T, promover uma alfabetização científica/ tecnológica sobre o aspecto crítico e fomentar a inserção política dos cidadãos nas tomadas de decisão. Hoje, a divulgação científica adquire uma importância ímpar na construção de uma sociedade democrática e que recoloca a C&T a seu favor.

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Para entender por que a divulgação científica é tão importante, complexa e gratificante, podemos pensar em dois tripés que, juntos, sustentam uma única atividade central.

O primeiro tripé da divulgação científica é o mesmo da universidade como um todo: ensino, pesquisa e extensão. A divulgação científica sempre tem, como ponto de partida, a pesquisa científica, que constitui a matéria prima a ser divulgada. Em seguida, essa matéria prima é transformada – em texto, mídia ou atividade educativa –, com o objetivo de ensinar. Contudo, diferentemente do material didático utilizado em sala de aula, o material da divulgação científica é confeccionado visando à comunicação com a sociedade em geral, o que é uma característica da extensão universitária. Dessa forma, a divulgação científica integra, organicamente, ensino, pesquisa e extensão, perdendo não apenas seu equilíbrio, mas todo o sentido, se uma das três escoras desse tripé faltar.

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