|Série Biomas| O ritmo acelerado de destruição da Amazônia (V.4, N.3, P.10, 2021)

Estimated reading time: 15 minute(s)

Esta série sobre Biomas é o resultado dos trabalhos da disciplina Ciência Ambiental, ministrada pelo professor Prof. Dr. Ricardo H. Taniwaki, no âmbito do Programa de pós-graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Federal do ABC.

Divulgadoras da Ciência:

Marilena Moraes Luciano e Rafaella Mayumi Takahashi

A coleção 5 do MapBiomas reúne uma base de dados de imagens de satélite de 1985 até 2019 de todo o país. Utilizando essas imagens é possível contar a história do Brasil, verificar os efeitos de políticas públicas e aprender com os resultados de ações passadas. As imagens processadas foram apenas as que possuíam menos de 50% de ruído, ou seja, que a maior parte da foto não era composta por nuvens. Foram utilizadas diversas fotos de um mesmo ano para não perder a dinâmica desse período. A escala utilizada foi menor do que o pixel de 30 x 30 metros.

Neste estudo não havia viés do analista, visto que as variáveis foram escolhidas por algoritmo. Todo o processo foi automatizado e computacionalmente eficiente, mesmo com mais de 74 mil cenas e 10 mil pontos por cena. Foi utilizada a moda do pixel para demonstrar a classe mais indicada do pixel. Filtros temporais foram aplicados para retirar inconsistências e filtros espaciais para retirar ruídos.


A partir dos dados do MapBiomas para a Amazônia, é possível verificar a perda acelerada de florestas para pastagem no bioma, além do aumento do uso do solo para a agricultura e infraestrutura urbana (Figuras 1, 2, 3 e 4).

Figura 1. Gráfico de floresta por milhões de hectares ao longo do tempo. Fonte: MAPBIOMAS BRASIL, 2020. #pracegover Gráfico que mostra a diminuição de 43Mha de área de floresta entre 1987 e 2019

Figura 2. Gráfico de uso para pastagem por milhões de hectares ao longo do tempo. Fonte: MAPBIOMAS BRASIL, 2020. #pracegover Gráfico que mostra o aumento de 36Mha de área de pastagem entre 1987 e 2019.

Figura 3. Gráfico de uso para agricultura por milhões de hectares ao longo do tempo. Fonte: MAPBIOMAS BRASIL, 2020. #pracegover Gráfico que mostra o aumento de 6Mha de área de agricultura entre 1987 e 2019.

Figura 4. Gráfico de uso para infraestrutura urbana por milhões de hectares ao longo do tempo. Fonte: MAPBIOMAS BRASIL, 2020. #pracegover Gráfico que mostra o aumento de área de mais de 20Mha de infraestrutura urbana entre 1987 e 2019.

A relação da devastação florestal e a desigualdade da distribuição da terra na Amazônia

 

Melhorias no sistema nacional oficial de gestão de terras (SIGEF/INCRA) e na implementação do cadastro ambiental rural (CAR/SFB) possibilitaram um aumento na quantidade e qualidade de dados sobre posse e localização de imóveis rurais no Brasil. Consequentemente, a desigualdade da distribuição de terras no Brasil ficou mais evidente, principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do país. O cenário é de uma pequena parcela da população que detém uma grande quantidade de terras normalmente utilizadas para agricultura e agropecuária, que geram uma riqueza a qual não corresponde necessariamente a uma contribuição local de forma igualitária.

A preservação da vegetação nativa ou secundária (vegetação resultante de distúrbio humano, como desmatamento e degradação) presente nessas terras dependem de atitudes dos proprietários e da fiscalização do Estado. Os principais motivos que têm contribuído para devastação da floresta são as queimadas sem autorização, desmatamento ilegal e falta de validação do CAR, que é um documento autodeclarado.

 

Como melhorar a realidade da Amazônia

 

A mitigação de impactos ambientais na Amazônia depende de políticas públicas e participação local. Para isso, é necessário um monitoramento utilizando banco de dados, levantamento histórico do uso e cobertura do solo para aprender com o passado e aderir a políticas públicas que protejam o bioma. Além disso, estudar as comunidades locais em relação a dados socioambientais contribuem para formular estratégias de desenvolvimento sustentável na Amazônia legal, bem como incentivo a projetos de preservação da flora.

O cadastro ambiental rural também auxilia na proteção, porque com ele é possível maior controle sobre as terras, porém é importante ressaltar a necessidade da validação do CAR. A fiscalização pelo poder público e possibilidade da regularização das terras propondo medidas de restauração como o reflorestamento são alternativas interessantes para aumentar a área de floresta em todo o bioma.

Referências

MAPBIOMAS BRASIL. Revelando o uso da terra na Amazônia com ciência e transparência. Webinar desenvolvidos por Mapbiomas. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ISo_cR6vcCc&t=4513s>. Acesso em: 09 out. 2020.

PINTO Fernando Guetes, FARIA Vinicius Guidotti, et al. Quem são os poucos donos das terras agrícolas no brasil – o mapa da desigualdade. Notícia do website Imaflora. Disponível em: <https://www.imaflora.org/public/media/biblioteca/1588006460-sustentabilidade_terras_agricolas.pdf > Acesso em: 09 out. 2020.

SATHLER, Douglas; ADAMO, Susana B.; LIMA, Everton E. C. Mudanças climáticas e mitigação no setor florestal: REDD+, políticas nacionais e desenvolvimento sustentável local na Amazônia Legal. Rev. bras. estud. popul., São Paulo, v. 32, n. 3, p. 619-630, Dec. 2015. Disponível em:

<https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-30982015000300619&lang=e > Acesso em: 09 out. 2020.

 

Imagem destacada: Sobrevoo durante operação de fiscalização contra o desmatamento em Novo Progresso, Pará. Foto: Vinícius Mendonça – Ascom/Ibama.

Related Post

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Twitter