|Muitas informações sobre o novo Coronavírus?| # 2 – Número de casos e como são feitos os testes para confirmação da Covid-19 (V.3, N.4, P.10, 2020)

Tempo estimado de leitura: 7 minuto(s)

Desde o início da pandemia do novo coronavírus a internet vem sendo bombardeada com inúmeras informações, tais como formas de contágio, grau de letalidade, quarentena, testes rápidos etc. As mensagens trocadas em redes sociais e pelo whatsapp compartilham inúmeras informações, nem todas corretas ou esclarecedoras. Por isso, nesta série de textos, os professores da UFABC Fúlvio Rieli Mendes e Sergio Daishi Sasaki tentam explicar de uma forma simples alguns dos principais tópicos que vem sendo discutidos nas mídias sociais.

No post anterior já falamos sobre os temas: “Covid-19 ou SARS-Cov-2“, “Por que tanta preocupação e por que do isolamento social?“. Hoje falaremos sobre o número de casos de Covid-19 e como são feitos os testes para confirmação da Covid-19. Vamos lá!

 

Sobre o número de casos de Covid-19

Os noticiários apresentam diariamente os números de casos confirmados de Covid-19, o número de óbitos e de pessoas curadas, e, em alguns momentos, o número de casos suspeitos.

É importante ficar claro que os casos suspeitos referem-se às pessoas que possuem sintomas da doença, mas que ainda não fizeram testes para comprovar a infecção pelo SARS-Cov-2 (causador da Covid-19) ou estão aguardando o resultado.

 Os casos confirmados referem-se ao número oficial de pessoas que testaram positivo nos testes para Covid-19 e sua contagem é cumulativa, ou seja, incluem pessoas que morreram devido a complicações da doença, pessoas diagnosticadas com a Covid-19 (tanto os pacientes internados como os casos positivos assintomáticos ou que apresentem apenas sintomas leves) e indivíduos que contraíram o coronavírus e já estão curados.

Também é importante frisar que os números oficiais certamente não retratam o número real de pessoas infectadas com o SARS-Cov-2, pois apenas uma parcela da população foi testada. Devido à limitação do número de kits, ao elevado custo e ao tempo necessário para fazer os exames, os testes vêm sendo feitos apenas em pacientes com sintomas mais graves, profissionais de saúde e grupos de maior risco, ou seja, existe uma subnotificação do número real de casos. Por outro lado, isto também sugere que a taxa de mortalidade e complicações seja menor do que o que se vem considerando, pois as pessoas assintomáticas e com sintomas leves que poderiam ter a Covid-19 não estão sendo testadas. Importante: isso não significa que devemos afrouxar as medidas de segurança, mas sim que as taxas reais de infecção e que o grau de letalidade só serão realmente conhecidos no futuro e, ainda assim, por aproximação.

Como são feitos os testes para confirmação da Covid-19?

Basicamente, estes testes podem ser classificados em dois tipos: testes rápidos e testes por PCR em tempo real.

Os testes rápidos, como o nome indica, dão resultado em poucos minutos ou horas. São testes feitos com instrumentos que detectam a presença de anticorpos contra o vírus no sangue da pessoa suspeita de ter a Covid-19. Anticorpos são defesas naturais que nossos corpos produzem para tentar combater a presença de micro-organismos, como o vírus. Dependendo do tipo de anticorpo detectado (Imunoglobulina M -IgM ou Imunoglobulina G – IgG), o teste indica se a pessoal está infectada e possui vírus ativo (IgM) ou se foi infectada e já está curada (IgG).

Os chamados “testes rápidos”. Figuras extraídas de www.shutterstock.com/pt

Infelizmente, os testes rápidos podem dar resultados “falsos negativos”. Segundo informações dos fabricantes e do governo, estes testes ajudam a confirmar os casos de pessoas que apresentam sintomatologia há pelo menos alguns dias, mas resultados negativos não garantem que a pessoa não esteja infectada.

Já os testes de PCR em tempo real produzem resultados com quase 100% de acerto. Esses testes são realizados com amostras nasais e orais (swabs de nariz ou boca), ou de escarro do paciente. A sigla para esse teste (RT-qPCR) refere-se ao nome em inglês da reação que é feita, neste caso, para detectar o material genético viral, reação em cadeia da polimerase, quantitativo, em tempo real.

Kit para detecção da Covid-19 por técnicas de biologia molecular – PCR ). Figura extraída de www.shutterstock.com/pt

 

Tratam-se de testes que empregam técnicas de biologia molecular, aparelhos modernos e reagentes muito sofisticados e, por isso, conseguem detectar a presença do vírus com enorme precisão. Infelizmente estes testes são mais demorados e o número de exames possíveis depende da existência de aparelhos, reagentes e pessoas qualificadas para fazer o exame; por isso é inviável que esse teste seja feito para todos os casos suspeitos.

Na publicação final da série, os professores falam sobre as medidas de comportamento que todos devem adotar como forma de proteção quando teremos a cura para a Covid-19? Caso queira receber notificação dos próximos textos, basta inscrever seu e-mail na barra lateral esquerda.

 

Acompanhe também os outros episódios da série “Muitas informações sobre o novo Coronavírus?”:

Prof. Dr. Fúlvio Rieli Mendes é professor de Farmacologia da Universidade Federal do ABC e orientador do programa de pós-graduação em Neurociência e Cognição da UFABC. Tem experiência nas áreas de Farmacologia e Neurociências, com ênfase em Produtos Naturais, atuando principalmente nos seguintes temas: psicofarmacologia, neurodegeneração, dependência de drogas, plantas medicinais, adaptógenos e modelos animais.

Prof. Dr. Sergio Daishi Sasaki é professor da UFABC na área de Ciências Biológicas. Tem experiência na área de Bioquímica e Biologia Molecular com ênfase em purificação e caracterização de proteínas, técnicas de DNA recombinante, imuno-bioquímica, silenciamento gênico por interferência de RNA. Atualmente desenvolve projeto de pesquisa aplicando os inibidores de serinoproteases em modelo de enfisema pulmonar

 

Referências / links úteis:

https://coronavirus.saude.gov.br

https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/qual-e-a-diferenca-entre-coronavirus-covid-19-e-sars-cov-2-entenda/

https://super.abril.com.br/saude/sim-o-coronavirus-veio-da-natureza-e-nao-de-um-laboratorio/

https://pt.wikipedia.org/wiki/PCR_quantitativo_em_tempo_real

https://biossistemasufabc.wixsite.com/home/post/biossistemas-e-covid-19

http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/aprovados-primeiros-testes-rapidos-para-covid-19/219201

 

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