Se sentindo enferrujado com essa quarentena? Que tal dar uma eletrizada nas coisas? (V.3, N.5, P.2, 2020)

Facebook Twitter Instagram YouTube

Se sentindo enferrujado com essa quarentena? Que tal dar uma eletrizada nas coisas? (V.3, N.5, P.2, 2020)

Tempo de leitura: 3 minutos
#acessibilidade Imagem de uma superfície metálica enferrujada, apresentando várias texturas e tons de alaranjado.

Você já parou para pensar o que a formação da ferrugem tem a ver com geração de eletricidade? Pode parecer que não, mas esses dois fenômenos têm muito em comum! Vem comigo que hoje falaremos de eletroquímica e reações de oxidação e redução.

Costumamos dizer que ficamos “enferrujados” por passar bastante tempo parados em casa ou sem fazer alguma atividade. A ferrugem é o nome popular para o que acontece com ferro metálico ou ligas que o contenham — e se você adivinhou que esse é um processo de oxidação porque o ar contém oxigênio, acertou em parte, mas vamos entender melhor o que é responsável por esse fenômeno.

O ferro é um elemento metálico que usualmente é encontrado nos estados de oxidação (II) e (III). Seus sais usualmente são coloridos e a cor dá uma dica de qual estado de oxidação o íon se encontra — sais de Fe2+ geralmente são esverdeados e de Fe3+ geralmente são marrom-amarelados. Para passar de um estado para o outro e ficar com essa carga mais positiva, o íon de ferro deve perder um elétron, que é uma partícula com carga negativa. Quando uma espécie ganha um elétron em uma reação e fica mais negativa, chamamos essa de reação de redução e quando perde um elétron e fica mais positiva, reação de oxidação.

Voltando para o caso da ferrugem, ela se forma em uma reação de oxidação, na qual o ferro reage com oxigênio do ar ou gás carbônico, água e forma óxido de ferro. A água é um solvente, que juntamente com íons de sais dissolvidos funciona como um eletrólito, um meio que permite que essa transferência de elétrons seja possível. A presença de outros íons em solução torna esse processo ainda mais rápido e favorável. É por isso que as coisas enferrujam muito mais rápido na água do mar (que tem mais sais dissolvidos, formando íons) do que na água doce.

As reações de redução e oxidação acontecem em conjunto, porque os elétrons precisam ir de uma espécie para outra. Então enquanto uma espécie fornece elétrons e se oxida, outra espécie ganha elétrons e reduz. Usualmente, essas reações químicas são conhecidas como oxirredução, comumente chamadas de redox, justamente por isso.

As pilhas e baterias são dispositivos que aproveitam reações redox para gerar energia — se você está lendo este texto do seu celular, tablet ou notebook, tem uma bateria possibilitando que isso aconteça. Isso porque o deslocamento desses elétrons, que fluem de uma espécie para outra, é justamente… uma corrente elétrica!

Para que hoje estejamos conversando por dispositivos que funcionam graças a essas reações, a eletroquímica percorreu um longo caminho — desde Luigi Galvani em 1780 utilizando hastes metálicas para fazer os músculos de sapos mortos se moverem “sozinhos”, passando por Alessandro Volta que propôs que os pobres sapos não tinham nada a ver com isso e sim o fato de hastes metálicas conectadas por um meio com água que agora sabemos ser um eletrólito e… bem, você já percebeu que essa história é longa, certo?

Vamos deixar a história para outro dia, acho que a bateria do meu notebook já está acabando!

Fontes:

Fonte da imagem destacada: Laitr Keiows / CC BY-SA

BACCAN, Nivaldo. Introdução à Microanálise Qualitativa. 6 ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1995.

ATKINS, Peter, JONES, Loreta, Princípios de Química – Questionando a Vida Moderna e o Meio Ambiente. 5. Ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.

Para saber mais:

How Rust Works <https://www.thoughtco.com/how-rust-works-608461>

Compartilhe:

Responder

Seu endereço de e-mail não será publicado. Obrigatório *