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Água é tudo igual? (V.4, N.1, P.3, 2021)

Tempo de leitura: 4 minutos
#acessibilidade Imagem com fundo preto e detalhe azul claro na parte de baixo, uma garrafa plástica azul despejando água em copo de vidro transparente.

Texto escrito pelos colaboradores Camila Petroleo, Valéria Rafashi, Vinícius de Ávila Jorge e Andreia Maria Faedo

H2O — talvez esta seja a fórmula química mais conhecida que existe. E com razão, pois é a fórmula que representa a molécula da água, substância essencial à nossa vida. Mas, apesar da simplicidade de sua fórmula, será que água é mesmo tudo igual? Por que será que existem diversos “tipos” de água? “Água mineral”, “água natural”, “água destilada” … Qual a diferença entre os tipos de água?

O consumo de água mineral tem crescido a cada ano no Brasil e os motivos para isso são diversos. Pode ser pela disponibilidade de fontes próximas às residências ou por falta de confiança na qualidade da água de abastecimento fornecida pelo sistema público. Em épocas de temperaturas elevadas, especialmente no verão, o consumo desta bebida também aumenta.

Você, leitor, que tem o hábito de consumir este produto, já deve ter se deparado com diversos “tipos” de água nas prateleiras do supermercado, cujos rótulos informam se se trata de água mineral com gás ou natural, além de outras especificidades como pH alcalino, água leve, água adicionada de sais… mas qual a diferença entre estes diversos tipos de água, além do preço?

Água mineral é definida legalmente como sendo “aquela captada de fontes com composição química ou propriedades diferentes das águas comuns, com características que confiram uma ação medicamentosa”. Por definição, a diferença entre “Água Mineral Natural” e “Água Natural” é a concentração dos sais minerais, oligoelementos e outros constituintes, que é maior na Água Mineral Natural. Cabe ressaltar que essas substâncias, acima de determinadas concentrações, podem apresentar riscos à saúde, portanto as águas precisam atender restrições para serem consideradas potáveis.

De maneira geral, pode-se dizer que a água mineral difere da água natural por conter alguma substância particular do seu local de extração. Por exemplo, algumas águas minerais contêm alcalinidade natural acima do valor encontrado em outras fontes e, esta alcalinidade, pode conferir uma diferença no paladar que a torne única. Já a água adicionada de sais é uma água aceita para consumo humano, não necessariamente extraída de uma fonte. A adição de sais deverá conferir a mesma sensação de paladar que a água com alcalinidade natural.

Para ser considerada uma “água adicionada de sais”, esta deve conter pelo menos um sal considerado de grau alimentício, além de não conter açúcares, adoçantes, aromas ou outros ingredientes. Se você ficou curioso ou preocupado a respeito de quais sais podem ser adicionados a água, fique tranquilo! Estamos falando de sais como bicarbonatos, carbonatos cloretos e sulfatos, permitidos para uso em alimentos, portanto não prejudiciais à saúde. Esta adição tem por finalidade “imitar” componentes naturalmente presentes nas águas minerais, responsáveis pela sensação no paladar de diferença de sabor que sentimos ao beber águas de diferentes fontes.

Agora que você já sabe a diferença de Água Mineral Natural e Água Natural, sabe como a água mineral pode conter gás? O gás presente é o gás carbônico (CO2), o mesmo presente no refrigerante, e pode ser proveniente da fonte de onde a água é extraída. Neste caso, o rótulo da água deve conter a informação que a água é “naturalmente gasosa”. O gás também pode ser adicionado no momento do envase, então o rótulo deve conter somente a informação “água com gás”.

Outro tipo bastante comum de água é a “Água Tratada para Consumo Humano”. Em municípios onde existe sistema público de abastecimento, esta água é conhecida como “água de torneira”. Assim como para as águas minerais, a água tratada segue regulamentações do Ministério da Saúde, de forma que independente da origem da captação, este tipo de água deve possuir um padrão de qualidade para que possa ser distribuído e consumido.

Por fim, talvez você já tenha ouvido falar da “Água Destilada”, mais utilizada em laboratórios, na manufatura de fármacos, bem como nas baterias de veículos. Esta água é o produto de um processo conhecido como destilação, no qual a água é aquecida até entrar em ebulição. Quando passa para o estado gasoso, a maior parte dos sais (íons) mencionados nos outros tipos de água é deixada para trás. Por fim, coleta-se o condensado em outro recipiente. Esta água é especialmente útil quando o acúmulo de sais pode interferir em algum produto ou processo. Assim seu consumo não é recomendado, pois pode levar a quadros de desidratação e perda de eletrólitos, justamente pela ausência de sais dissolvidos.

Agora que já sabemos que “água não é tudo igual” podemos voltar nossa atenção a detalhes mais importantes, como a sua origem, se ela é própria ou imprópria para o consumo humano e a concentração de certos sais dissolvidos.

Ah, e não se esqueça de usar este recurso com sabedoria e de se hidratar sempre!

Fontes:

Fonte da imagem destacada: CC0 Public Domain/pxhere.com

Água mineral – disponível em https://www.ana.gov.br/gestao-da-agua/saiba-quem-regula/agua-mineral

Água tratada – disponível em https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inspecao/produtos-vegetal/legislacao-1/biblioteca-de-normas-vinhos-e-bebidas/portaria-de-consolidacao-no-5-de-3-de-outubro-de-2017.pdf/view

Para saber mais:

Conheça os diferentes tipos de água – CETESB

Claro como água – Ciência Hoje

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