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O sapo não lava o pé, mas tem chulé? (V.2, N.6, P.2, 2019)

Tempo de leitura: 2 minutos
#acessibilidade Um sapinho de cerâmica deitado dentro de uma banheira, com a cabeça, braços e pernas para fora. Uma das pernas esticada para o alto. Há também uma toalha pendurada na lateral da banheira.

O chulé é aquele cheiro desagradável que sentimos, normalmente após tirar os sapatos. Fica pior se o sapato tiver sido usado sem meias. Mas você sabe o que causa esse odor? O nome formal do chulé é podobromidrose. Bromidrose refere-se a odor corporal de forma geral e ocorre por exemplo nas axilas (ou sovaco). O prefixo podo indica pés, então, ao pé da letra, significa mau cheiro nos pés.

Quando estamos com calor, ficamos suados. Nossos pés também suam quando esquentam. O ambiente quente e úmido dentro do sapato favorece a multiplicação de organismos como fungos e bactérias que, quando estão ativos, se multiplicam e se alimentam dos restos de pele e sujeira associados a nossos pés e calçados, liberando gases que têm cheiro ruim no processo.

Manter a higiene dos pés com banhos diários, manter os sapatos limpos e secos e usar calçados mais abertos podem ajudar a diminuir o chulé. Em casos mais sérios é possível procurar um médico dermatologista seja para tratar o excesso de suor, seja para tentar diminuir as bactérias e fungos residentes nos pés. Essas medidas ajudam a diminuir odores em outras partes do corpo também. Todos nós apresentamos milhares de bactérias e fungos vivendo em nossa pele, especialmente em áreas mais escondidas e quentes, como as axilas, a virilha e as dobras dos braços e pernas. Quanto mais escondido, quente e úmido, maior a quantidade de microrganismos. E aí voltamos ao início, sapos têm chulé?

Anfíbios são animais muito comuns em ambientes tropicais, que são quentes e úmidos. Como será então que sobrevivem sem serem atacados por fungos e bactérias? Anfíbios tomam banho? Não! Mas a pele dos anfíbios, além de apresentar a função de proteção e respiração, também apresenta secreções com substâncias que agem contra bactérias e fungos. Essas substâncias têm potencial farmacêutico e são ainda pouco conhecidas. Estamos também começando a entender a relação entre a saúde dos anfíbios e a comunidade de organismos que vive em sua pele, a microbiota. Ao que parece, a combinação certa de bactérias e fungos na pele pode proteger esses animais ao invés de prejudicá-los. Assim, o sapo não lava o pé, mas não tem chulé!

Fontes:

Fonte da imagem destacada: Pixabay

Reis, G.M.D.; Guerra, A.C.S.; Ferreira, J.P.A. 2011. Estudo de pacientes com hiperidrose, tratados com toxina botulínica: análise retrospectiva de 10 anos. Rev. Bras. Cir. Plást. 26 (4). http://dx.doi.org/10.1590/S1983-51752011000400008

Para saber mais:

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/odor-corporal-bromidrose/

https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/bromidrose/76/

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