Tetimatermes

Família: Termitidae

Subfamília: Apicotermitinae


Em um mundo imaginário, semelhante ao de Alice no País das Maravilhas, o cupim dessa semana poderia muito bem ocupar um lugar interessante: vendendo sorvete. Só que ao invés de usar uma colher para pegar as bolas de sorvete, usaria suas próprias pernas. O nome dessa figura curiosa é Tetimatermes, um gênero com uma única espécie descrita, Tetimatermes oliveirae. São pequenos quando comparados com outros cupins; possuem corpo transparente (é possível visualizar facilmente o intestino através da cutícula do abdômen); cabeça com muitas cerdas e provavelmente se alimentam de restos orgânico presentes no solo. 

Em relação ao seu nome, há muitas formas para se nomear uma espécie. Pode ser um nome que homenageie alguém, pode ser relacionado ao lugar onde o organismo foi encontrado ou algo sobre sua biologia. No caso do nosso gênero Tetimatermes, o nome diz respeito à perna deste bicho. “Tetima” tem sua origem no Tupi, e significa perna, enquanto “termes” é a terminação do Latim que significa “verme que rói”, e se convencionou colocar ao final dos nomes dos gêneros de cupins. 

Mas por que essa parte da anatomia chamou tanta atenção a ponto de estar no nome do gênero? Os indivíduos dessa espécie possuem a tíbia anterior em formato de colher de sorvete (daí a minha divagação do início do texto). Mas o que é um a tíbia? Você precisa saber que a perna de um inseto tem várias partes diferentes e por isso recebem diferentes nomes. São essas partes a coxa, trocanter, fêmur, tíbia, tarso e pós tarso, como podemos ver na figura abaixo. 

“Mas e o que é anterior?” talvez você pense. As partes mais próximas da cabeça do animal nós chamamos de anteriores e quanto mais próximas da parte oposta à cabeça, chamamos de posteriores. Então a tíbia anterior é a tíbia da perna que está mais perto da cabeça do cupim. Talvez essa “colher” do Tetimatermes faça desses indivíduos excelentes escavadores (na segunda figura a tíbia em forma de concha é indicada pelas setas vermelhas).

Essa ideia não é absurda quando pensamos que a forma de um ser vivo está relacionada com sua função, ou seja, com o que o bicho faz. A aves possuem suas asas em formato aerodinâmico e voam de forma espetacular. As rãs têm suas pernas posteriores longas e saltam grandes distâncias fugindo de seus predadores, além de muitos outros exemplos da natureza. Pensando nisso, pra quê serviria essa colher na tíbia anterior? Considerando que esses bichos vivem sempre dentro do solo, essa cavidade auxiliaria na escavação de túneis no solo para os cupins se locomoverem. Porém isso é uma hipótese que carece de confirmação. Talvez você, que lê esse texto, seja a termitóloga ou termitólogo a responder isso pra gente. Que tal?


Texto: Matheus dos Santos e Danilo Oliveira


Referência:

FONTES, L. R. Two New General of Soldierless Apicotermitinae From the Neotropical Region (Isoptera, Termitidae). Sociobiology, v. 12, p. 285–297, 1986. 

 

 

 

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