Neocapritermes braziliensis

Família: Termitidae

Subfamília: Termitinae

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Foto: Pedro Lima Pequeno

O quadro cupim da semana volta com um velho conhecido do Wikitermes, estou falando do Neocapritermes braziliensis! Digo velho conhecido porque ele já foi citado, de forma indireta, em um dos primeiros textos do site, que falava sobre as características gerais do gênero Neocapritermes. Além disso, ele reapareceu em um texto recente que contava sobre a estratégia de defesa bem peculiar que os operários desenvolveram. 

O Neocapritermes braziliensis ocorre nas florestas amazônicas, onde em algumas áreas pode ser  o mais abundante dentre os Neocapritermes. São encontrados principalmente nas florestas de terra firme, regiões de relevo mais elevado, e que por isso não sofrem inundações nas épocas de cheias. Diferente das outras espécies do gênero, N. braziliensis não constroem ninhos subterrâneos, em vez disso seus ninhos são epígeos, construídos nas bases das árvores, mas também há relatos de ninhos arborícolas. Seus ninhos são caracterizados por possuir uma coloração de terra escura e são ótimos produtores de calor. 

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animaldiversity.org/; Foto: John White

A temperatura interna dos ninhos dos N. braziliensis é de cerca de 30ºC, temperatura perfeita para… incubar ovos de Jacarés! Calma que eu explico. Para desenvolver seus ovos, os jacarés precisam de um ambiente com temperaturas elevadas (acima de 27ºC), e por isso diversas espécies montam ninhos com vegetação podre, já que o processo de decomposição é uma ótima fonte de calor. Contudo, uma espécie de jacaré amazônico, o Jacaré-Coroa (Paleosuchus trigonatus), que não é bobo nem nada, aprendeu a utilizar os ninhos dos N. braziliensis como incubadoras!Os soldados dessa espécie possuem uma mandíbula retorcida, capaz de desferir um poderoso… peteleco. Isso mesmo, os soldados conseguem dar um peteleco nos seus inimigos e jogá-los para longe. Entretanto, esta não é a única forma que esse cupins desenvolveram para defender a colônia.  

Como já foi falado neste texto, os operários desta espécie, assim como outros do gênero, conseguem produzir em suas glândulas salivares, diversas substâncias tóxicas, e as armazenam em um reservatório presente na parte dorsal do abdômen. Caso o operário seja ameaçado por um predador, ele consegue romper esse reservatório, levando o rompimento do próprio corpo do cupim, e assim todas as toxinas são liberadas sobre o predador. É um tipo de estratégia suicida, e por isso esses cupins são conhecidos como “cupins bombas” ou ainda “cupins kamikazes”. Lembrando que para os cupins o importante é a sobrevivência da colônias, mesmo que isso custe sua vida.

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Foto: Pedro Lima Pequeno

 

 


Texto: Gabriel Olivieri


Referências: 

 Constantino, R. “Termites (Isoptera) from the lower Japurá River, Amazonas State, Brazil”, Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, v. 7, p. 189–224, 1991.

Constantino, R. “Notes on Neocapritermes Holmgren, with description of two new species from the Amazon Basin (Isoptera, Termitidae, Termitinae)”, Goeldiana Zoologia, n. 7, p. 1–11, 1991.

Costa-leonardo, A. M., Da Silva, I. B., Janei, V., et al. “Worker Defensive Behavior Associated with Toxins in the Neotropical Termite Neocapritermes braziliensis (Blattaria, Isoptera, Termitidae, Termitinae)”, Journal of Chemical Ecology, v. 45, n. 9, p. 755–767, 2019. 

Magnusson, W. E.; Lima, A. P.; Sampaio, R. M. “Sources of heat for nests of Paleosuchus trigonatus and a review of crocodilian nest temperatures”, Journal of Herpetology 19(2): 199-207, 1985.

 

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