Krishnatermes yoddha

Grupo Meiatermes


O cupim desta semana é a espécie fóssil Krishnatermes yoddha, um cupim que traz consigo uma história rica e distante. Essa espécie foi encontrada em âmbar, na região de Mianmar, e descrito a partir de diversos fósseis. O âmbar é uma resina fóssil, que foi liberada por alguma planta e endureceu. Muitas vezes, ela pode prender animais dentro dela. A partir deste âmbar, é possível então saber que este cupim viveu no período Cretáceo, dividindo espaço com os dinossauros há mais de 100 milhões de anos.

O nome krishna- é em homenagem ao importante termitólogo Kumar Krishna, e o nome da espécie, yoddha, faz referência a palavra indiana Yod’dha, que significa “guerreiro”. Não é sabido se o nome do mestre Jedi Yoda, da série de filmes Star Wars, também deriva desta palavra.

Mesmo esse cupim não sendo um Jedi, ele não é menos importante. Não é fácil inferir a classificação filogenética de cupins fósseis, mas aparentemente, Krishnatermes yoddha apresenta diversas características que o enquadram em um grupo extinto chamado Meiatermes. Esse grupo tem uma posição incerta, mas é provavelmente seja está relacionado à família  Mastotermitidae,  ou Hodotermitidae. O grupo Meiatermes tem diversas características parecidas com os Mastotermitidae, como o tamanho avantajado do corpo, e o pronoto bem largo (aquela estrutura logo atrás da cabeça, que em baratas não-cupins é bem largo também).

A descoberta de K. yoddha foi muito importante, pois foram achados exemplares de várias castas desta espécie, inclusive soldados, operários e alguns neotênicos. Sabendo disso, os cientistas puderam afirmar que os cupins desta época já tinham um eussocialidade bastante desenvolvida, semelhante aos cupins que podemos ver hoje em dia.

Cupins fósseis são uma ótima fonte para sabermos como os cupins viviam no passado, e permitem o estudo de um mundo que já não existe, mas que ainda é o nosso. Estudar cupins em âmbar pode trazer vários insights de como as características que observamos nos animais hoje, por exemplo, evoluíram ao longo do tempo.


Texto por: Gustavo Pires Matheus


Referências:

ENGEL, Michael S. et al. Morphologically specialized termite castes and advanced sociality in the Early Cretaceous. Current Biology, v. 26, n. 4, p. 522-530, 2016.

ZHAO, Zhipeng et al. Termite Communities and Their Early Evolution and Ecology Trapped in Cretaceous Amber. Cretaceous Research, p. 104612, 2020.

 

 

 

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