1.1  HISTÓRICO DA EDUCAÇÀO A DISTÂNCIA


  A Educação a Distância (doravante EaD) é uma modalidade de ensino que utiliza ferramentas síncronas e assíncronas, com o intuito de construir o conhecimento entre pessoas que estão fisicamente separadas.

SÍNCRONAS - São ferramentas na qual os participantes interagem em tempo real, tais como chats.

ASSÍNCRONAS  - São ferramentas onde os participantes interagem, mas  não estão em tempo real, tais como fóruns e seminários.

  Sabe-se que a primeira notícia que se tem conhecimento sobre EaD foi veiculada em um anúncio publicado em um jornal de Boston, nos Estados Unidos da América (EUA), no século XVIII, e prometia promover o ensino de taquigrafia por meio de lições semanais, enviadas para o domicílio dos alunos. Já no Brasil, o início da EaD se deu pelo ensino por correspondência em 1904 (Azevedo, 2007).
  Além dos cursos livres e técnicos, que foram o foco inicial do EaD no Brasil, hoje o que mais cresce são os cursos de ensino superior, sejam de graduação, pós-graduação latu senso e stricto senso, principalmente, depois do artigo 87, § 4º, da LDB, que diz que somente serão admitidos professores com formação superior ou em formação em andamento durante o exercício legal da profissão. Sendo assim, Moran (2009) afirma que se criou uma demanda de mais de 700 mil novas vagas.
  Para suprir essa necessidade, o Ministério da Educação (doravante MEC) criou o programa pró-licenciatura, com o intuito de oferecer cursos de licenciatura para professores da rede pública que exercem a docência nos ensinos fundamental e médio. Os cursos são oferecidos por instituições de ensino superior públicas, comunitárias e confessionais.
  Com o objetivo de ampliar ainda mais a coordenação de projetos em EaD, o MEC criou em 2005 a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Ela funciona como articuladora entre as universidades públicas e os governos estaduais e municipais, à luz de atender as demandas locais de ensino superior, e assim, fomentar o bom andamento dos cursos oferecidos.

1.2 - MUDANÇAS DE PARADIGMA


  Segundo Behar (2009), a educação está em um momento de mudança paradigmática, com a introdução das TIC's (Tecnologias da Informação e Comunicação). Esse processo levou a uma reformulação dos papéis dos "atores" envolvidos no processo educacional e do perfil das instituições. Essa mudança é associada à EaD por promover de forma mais ampla essas rupturas no âmbito educacional.
  Com isso, uma nova noção de tempo e espaço é o fator propulsor desse processo, aliada à construções de novos referenciais teóricos, que devem comtemplar aspectos metodológicos, epistemológicos e ontológicos.
Os desafios momentâneos nos quais a educação se encontra consistem não só em encurtar as distâncias físicas, mas em estabelecer novos panoramas de "um novo saber pedagógico", ainda em construção. Assim, percebem-se várias tentativas de utilização, na EaD, das mais novas tecnologias surgidas, mas focalizando sempre a questão tecnológica e não a pedagógica. Isso pode trazer problemas para a EaD, pois o foco passa a ser os avanços tecnológicos e não as mudanças paradigmáticas (BEHAR, 2009).
  Nesse ínterim, os recursos tecnológicos devem ser utilizados como coadjuvantes no processo, como apoio para o processo educativo, e não como meio que busca o sucesso educacional.
Essa questão do sucesso educacional aliado ao progresso tecnológico faz pensar: existe sucesso ou progresso na educação? Ela lida com pessoas ou softwares? Sendo assim, existe fracasso escolar? Essas questões serão discutidas mais adiante, mas pode-se dizer neste momento que a educação lida com processos individuais. Cada pessoa é única e percorrerá caminhos únicos para construir o conhecimento.
  E é por isso que na EaD esses questionamentos são tão importantes, pois será necessário acompanhar o aluno a distância e selecionar quais ferramentas educacionais podem ser utilizadas para auxiliar esse aluno e evitar a sua sensação de solidão. Ele precisa se sentir apoiado e motivado a continuar, de acordo com o seu tempo, com suas características pessoais.
Sendo assim, o modelo pedagógico constituído deve contemplar o caráter multidimensional tanto da EaD, quanto dos atores do processo.

1.3 - PERFIL DO ALUNO EaD


  Nesse contexto de mudanças de paradigmas da educação, surge também um novo modelo de aluno, o aluno virtual, que passa a ser um sujeito ativo de sua própria aprendizagem. Todavia, é necessário que ele agregue algumas características à sua rotina de estudos: autonomia, iniciativa e disciplina.
  Esse novo sujeito está em crescente expansão no Brasil. Estima-se que existam mais de 2,6 milhões matriculados em cursos EaD e sabe-se que essa demanda é cada vez mais crescente. Os novos sujeitos necessitam de um novo modelo e esse tem sido o desafio dos educadores: aliar a técnica pedagógica com formas de motivação e manutenção desse aluno diferenciado, de modo a evitar a evasão escolar.
  Segundo Azevedo (2009), uma das motivações é o uso da Internet, pois ela seria uma fonte inesgotável de pesquisa, além de possuir uma grande variedade de recursos que possam integrar professores e alunos, estabelecendo assim uma relação de confiança.
  O autor diz também que algumas características no perfil do aluno EaD auxiliam em seu processo de construção de aprendizagem e adaptação nessa modalidade de estudo. Elas são as seguintes:

 1- o aluno virtual precisa ter acesso a um computador e a um modem ou conexão de alta velocidade e saber usá-los.
 2- o aluno virtual de sucesso tem a mente aberta e compartilha detalhes sobre sua vida, trabalho e outras experiências educacionais. Com isto, colabora para a interatividade do grupo.
 3- o aluno virtual não se sente prejudicado pela ausência de sinais auditivos ou visuais no processo de comunicação.
 4- o aluno virtual tem automotivação e autodisciplina. "Com a liberdade e a flexibilidade do ambiente online, vem a responsabilidade. Para acompanhar o processo online, exige-se um compromisso real e disciplina".
 5- o aluno virtual deseja dedicar quantidade significativa de seu tempo semanal a seus estudos e não vê o curso como 'a maneira mais leve e fácil de obter créditos ou um diploma (AZEVEDO, 2009, p. 27).

   Para uma educação que pretende se distanciar da tradicional, se faz necessário entender que não existe uma fórmula de aluno, e sim indivíduos que são complexos. Por isso, essa educação deve caminhar para diálogos com a interdisciplinaridade e com a transdisciplinaridade (Morin, 1996).
Ainda segundo Morin (1996), o problema da educação está na divisão do conhecimento em disciplinas que não se relacionam entre si, método segundo o qual o conhecimento é repassado ao aluno de forma fragmentada.
  O resultado dessa divisão seria a não conexão entre os diferentes saberes, o que se reflete na dificuldade mais recorrente dos alunos no sistema educacional: o analfabetismo funcional.
Ler um texto não é só entender o código utilizado no letramento; ler implica entender o que está escrito. Para entender um texto, é necessário relacionar os diferentes conhecimentos empregados na sua construção.
  A educação para a fragmentação dos saberes torna a sociedade analfabeta, treinada para responder a determinados estímulos, tais como o vestibular; todavia, não prepara o cidadão para relacionar e utilizar o conhecimento aprendido na escola em seu cotidiano.
  Esse fenômeno se opõe ao discurso defendido pelos educadores, os quais propõem a interdisciplinaridade, que é o desenvolvimento do saber intelectual por meio da interconexão entre os diferentes saberes.
  Essa sistematização caminha para uma educação que está voltada para suprir as necessidades do mercado de trabalho e, com isso, acompanhar seus avanços tecnológicos. Todavia, o papel da educação é promover a cidadania, sujeitos críticos e autônomos. E essa é a deixa para construir esse novo paradigma da educação. Deve-se auxiliar na construção de sujeitos que trabalham ou que são construídos para o trabalho?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AZEVEDO, D.R. de O aluno virtual: Perfil e Motivação. Dissertação de Mestrado, Universidade do Sul de Santa Catarina, Florianópolis, 2007.
BEHAR, P. A. Modelos pedagógicos em educação a distância. Porto Alegre: Artmed, 2009.
BELLONI, M. L. Educação a distância. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2001.
MENDES, Candido (Org.). Representação e complexidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2003.
MORAN, M.J. O que é Educação a Distância? 2002. Disponível em:  <www.eca.usp.br/prof/moran/textosEaD.htm> . Acessado em 22 Nov. 2012.
_____________. O ensino superior a distância no Brasil. São Paulo: Educação & Linguagem, Vol. 12, No 19, 2009.
MORIN, Edgar. O problema epistemológico da complexidade. 2. ed. Portugal: Europa-América, 1996.
___________ Os sete saberes necessários à educação do futuro. Brasília: Cortez Unesco; 2002.
UAB – Universidade Aberta do Brasil. Disponível em: http://www.uab.capes.gov.br/ Acessado em 23 de Nov. 2012.


 

Copyright © Website Title. All right Reserve.
Design by : Author of Website.