10. TUTORIA NA PRÁTICA

Objetivos: Conhecer a comunicação dialógica aplicada à tutoria em EaD. Pensar em formas práticas de lidar com os cursistas por meio do diálogo. 

Resumo: Nesta aula, discutiremos a interatividade entre os alunos à luz da comunicação dialógica.

Atividades: Atividade 15, Atividade 16 e Atividade 17.


Chegamos a nossa última aula e, até aqui, você entrou em contato tanto com as ferramentas do Tidia-Ae, quanto com as teorias de educação que vão dar suporte para a sua atuação como tutor em EaD.

Para a prática da tutoria em EaD, precisamos ter uma comunicação dialógica, que permita que diferentes vozes venham à tona no discurso educacional. Sendo assim, o discurso não pode ser de autoridade. O aluno precisa se sentir confortável para perguntar e, principalmente, ser estimulado a construir essa resposta, pois a educação é construção e não reprodução do discurso do outro.

Sendo assim, um dos fatores fundamentais para essa educação que propomos é a escrita sensível. O tutor deve se apropriar dela, para perceber as nuances no discurso do aluno e incentivar o diálogo. Neste sentido, tanto o discurso de autoridade, quanto o autoritário, não são bem-vindos, pois eles constituem o que Paulo Freire (1996) chama de "ensino bancário".

Para Paulo Freire (1996), o sujeito contribui ativamente para a formação de seu próprio saber. Sendo assim, não existiria a possibilidade de sujeito-receptáculo (aquele aluno que só receberia o conhecimento e não traçaria relações entre o conhecimento e sua experiência pessoal), pois mesmo na educação "tradicional" - chamada de "bancária" - o estudante assume posturas críticas em relação ao conteúdo.

Muitas vezes, o aluno se revolta contra a postura autoritária do professor, demonstrando indiferença ao conteúdo, e não "aprendendo" como deveria. E é isso que a comunicação dialógica procura evitar, pois o objetivo é envolver o aluno com a vontade de aprender. Neste caso, tanto os formadores (tutores e professores), como os alunos, são co-autores e sujeitos cognoscentes ativos do processo de ensino-aprendizagem (cf. Freire, 2011).

Para Freire (1996), formação é um processo no qual um sujeito auxilia o crescimento de outro indeciso ou acomodado. A aprendizagem deve formar o indivíduo para sua autonomia e tomada consciente de decisão. Formar alguém implica em estar de acordo com o ensino, com a rigorosidade metódica e comprometimento com os educandos. Sendo assim, seria necessário estar sempre alerta, pois se ensina também pelo exemplo, pelas decisões, pelo diálogo, pela humildade, pela tolerância, pela alteridade, pela competência profissional, pela alegria e pelo bom senso (cf. Freire, 2011).

Um dos fatores essenciais para o pensar certo é o estímulo da criatividade. Assim, construir o conhecimento de forma criativa implica em aprender a relacionar os conteúdos com a realidade cotidiana. Essa prática ativa de ensino difere do método de memorização empreendido pelo ensino "bancário", no qual os conhecimentos são concatenados e recitados.

Segundo Freire, "só quem pensa certo, pode ensinar" (Freire, 1996, p. 28). O "pensar certo" constrói uma educação centrada no conhecimento de mundo, do ser histórico. Reconhece-se então, que ao produzir o conhecimento, aprendemos com o que já existe e usamos nossa criatividade ao produzir algo novo.

Para que pensemos certo, é necessário respeitar o conhecimento trazido pelos alunos, muitas vezes constituídos em sua realidade social, econômica, cultural e política. Ademasi, seria importante utilizar as diferentes realidades vivenciadas pelos alunos para desenvolver um olhar crítico da sociedade, assim como levantar questões relacionadas com suas experiências e o cotidiano, visando a contextualização do ensino. Desta forma, o ensino poderá fazer mais sentido para este aluno (cf. Freire, 2011).

Um dos principais fatores do "pensar certo" é permitir-se ouvir, pois: "o educador que escuta aprende a difícil lição de transformar seu discurso, às vezes necessário, ao aluno, em uma fala com ele" (Freire, 1996, p. 113).

Pensando em tudo isso e relembrando a Aula 8 sobre comunicação dialógica, vamos conhecer alguns exemplos de como lidar com a prática da tutoria em EaD:

EXEMPLO 1 – Dúvida de cursista

Cursista: Oi tutor, na aula de hoje li sobre complexidade, mas não entendi bem, posso dizer que seria uma educação difícil?

Tutor: Olá cursista, como vai? Entendi o seu raciocínio, e ele tem alguma relação com o termo complexidade. O texto-base diz que "complexidade é uma palavra-problema e não uma palavra-solução". A complexidade tem a ver com as suas escolhas enquanto tutor, e que tipo de aluno surgirá a partir do processo educacional. Seria entender que o ser humano possui várias nuances. Você pode também saber um pouco mais acessando este link: A evolução dos paradigmas na educação: do pensamento científico tradicional à complexidade, trata-se de um artigo de Marilda Behrens e Anadir Oliari (2007).

No exemplo 1, o tutor inseriu diferentes diálogos no texto, fez uma escrita sensível e não desmereceu o comentário do aluno, conseguindo, assim, promover uma interação dialógica. Vamos verificar outro exemplo de comunicação dialógica entre tutor e aluno em EaD:

EXEMPLO 2 – Dúvida sobre atividade

Cursista: Oi tutor, não entendi a atividade dessa semana.

Tutor: Oi, como vai? O que você não entendeu?

Cursista: Não sei o que devo responder, pois já li o texto várias vezes e não entendi.

Tutor: Vamos ler o texto juntos? Que tal marcarmos um chat para conversarmos sobre o texto? Um abraço!

Neste caso, a solução que o tutor encontrou foi dialógica, pois não desmereceu o aluno e nem respondeu por ele. Ao invés disso, o tutor propôs uma leitura compartilhada ou uma conversa sobre o texto. 

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. BEHRENS, M. A.; OLIARI, A. L. T. A evolução dos paradigmas na educação: do pensamento científico à complexidade. In: Diálogo Educ., Curitiba, v. 7, n. 22, set./dez. 2007, pp. 53-66.
  2. DOTTA, S. Aprendizagem dialógica em serviços de tutoria pela internet: estudo de caso de uma tutora em formação em uma disciplina a distância. Tese (Doutorado em Educação). São Paulo: Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo (USP), 2009.
  3. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 23. reimp. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
  4. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.

CRÉDITOS

Autor: SANTIAGO, C. G., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Dezembro de 2012.
Revisores: BALLAMINUT, N.; CARTEANO, R., FIOROTTI, S.; HERRERA, V.; SIMAS, J. P.; ZIA, I. C. A., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Maio de 2014.


ATIVIDADE 15

Para realizar esta atividade, você precisa ter concluído a atividade que corresponde a "criar uma atividade no seu curso”. Agora você, como formador, avaliará a atividade que você realizou no seu curso como aluno-teste. Para avaliar a Atividade, siga os passos a seguir: (1) acesse o ambiente Tidia-Ae como tutor; (2) entre no seu curso; (3) clique na ferramenta "Atividades"; (4) procure pela atividade respondida na Aula anterior e clique sobre a opção "Avaliação", que fica logo abaixo do título da atividade; (5) abrirá uma janela com a lista de participantes do seu curso, clique no nome do aluno-teste (fteadYYYYx.0xxteste), verifique a resposta submetida por você (como aluno-teste), preencha o quadro “Comentário do Instrutor” (justificativa da nota) e, logo abaixo, no campo “Avaliação”, digite a nota; (6) para mostrar a nota ao aluno, assim que avaliá-lo, clique no botão "Devolver ao aluno" e pronto! Você já vai ter avaliado o aluno-teste que, na verdade, é você mesmo (dedicação: 30 minutos).

Faça um PRINT SCREEN da tela de avaliação, com o seu comentário e a nota atribuída ao aluno, salve o arquivo (em .doc ou .pdf) e ANEXE nessa atividade. Ao final, clique em SUBMETER.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: desenvolveu um comentário explicativo que complementou/corrigiu a resposta discente (2,00), foi cortez com o aluno (1,00), auxiliou o aluno frente à dificuldade (1,00), foi criativo em sua devolutiva e/ou comentário explicativo (1,00), entrou no sistema como tutor (1,00), comentou a atividade discente (2,00), indicou uma nota para a atividade discente (1,00), enviou a nota ao aluno, clicando em "Devolver ao aluno" (1,00).

 


ATIVIDADE 16

Para realizar esta atividade, você precisa ter concluído a atividade que corresponde a “responder uma questão no Fórum do curso criado por você”, como aluno-teste. Agora chegou o momento de avaliar o fórum que o seu usuário (como aluno-teste) participou no curso fteadYYYYx.0xx. Então, siga os passos a seguir: (1) acesse o ambiente Tidia-Ae como formador; (2) entre no curso fteadYYYYx.0xx; (3) ao entrar no curso, como formador, clique na ferramenta "Fóruns"; (4) procure pelo fórum que você criou e clique nele para acessá-lo; (5) clique no tópico existente neste fórum; (6) você verá a participação de todos os alunos e formadores que participaram do fórum, localize seu comentário (como aluno-teste) no fórum e, em seguida, clique na opção "Outras Ações > Nota"; (7) verifique se o fórum está associado à avaliação externa que você criou no "Quadro de Notas", na Aula 6; (8) digite a nota do aluno no campo "Avaliar"; (9) justifique a nota no campo "Comentários"; e, por fim, (10) clique no botão "Submeter Nota" (dedicação: 30 minutos). 

Observação: Na aba Meu Site, primeira aba à esquerda, clique em Worksite Setup. "Tique" o site que você criou. Clique em EditarEditar Ferramentas. Marque o Quadro de notas, clique em continuar e depois em encerrar. Volte para a aba do curso que você criou.

Em Quadro de notas, clique em Adicionar Item e preencha os campos obrigatórios, com data limite de hoje, deixe o item Liberar atividade selecionado e salve. Vá em Fóruns e clique no fórum criado e, depois, em configurações de Fórum, clique na opção Enviar para avaliações e salve novamente. Depois clique na resposta do fórum que você respondeu como aluno_teste, clique em Outras AçõesNota, selecione a atividade criada, avalie, comente e submeta a nota.

Faça um PRINT SCREEN da tela de avaliação, com o seu comentário e a nota atribuída ao aluno, salve o arquivo (em .doc ou .pdf) e ANEXE nessa atividade. Ao final, clique em SUBMETER.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: desenvolveu um comentário explicativo sobre a participação do aluno no fórum (2,00), foi cortez com o aluno (1,00), auxiliou o aluno frente à dificuldade (1,00), foi criativo em sua devolutiva e/ou comentário explicativo (1,00), entrou no sistema como tutor (1,00), comentou a atividade discente (2,00), indicou uma nota para a atividade discente (1,00), enviou a nota ao aluno, clicando em "Devolver ao aluno" (1,00).

 


ATIVIDADE 17

Agora você trocará de papel. Você não será mais um aluno, você será o tutor e realizará a seguinte atividade: "mediar um conflito de um fórum". Para isso, use todos os conhecimentos que adquiriu durante o nosso curso. Leia abaixo o conflito entre dois alunos:

Aluno 1: Olha, não entendi a colocação do colega, pois acho que Paulo Freire diz que a educação bancária é a educação tradicional. E ela privilegia o aprendizado decoreba, e isso não é aprender, é decorar!

Aluno 2: Oi, Aluno 1, se você não entendeu, é porque tem problemas de entendimento, seria burrice? Não vejo nenhum problema em decorar o assunto de certas matérias, pois se não é útil para mim, pra que aprender?

Aluno 1: Aluno 2, você disse tudo que eu precisava saber... Pois se acha que a educação deve ser útil, nem preciso dizer mais nada. E eu que sou burro, certo?

Aluno 2: Sim, burro é você, que quer se achar mais que todo mundo! E a educação deve ser útil sim, ela seria o que então?

Tutor: ???

Você deve elaborar uma resposta para mediar este conflito, lembre-se que hipoteticamente irá enviá-la ao fórum, local em que há outros alunos além da dupla em atrito (dedicação: 30 minutos). Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com a sua resposta como anexo na Atividade 17 (Atividades > Aula 10 - Atividade 17). Esta resposta deve ter, no máximo, 2 parágrafos. O texto no arquivo deve ser digitado conforme a norma ABNT NBR 14724:2011: em cor preta, no formato A4 (21 cm × 29,7 cm); as margens devem ser: esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; a fonte tamanho 12, preferencialmente Arial ou Times New Roman.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: desenvolveu um comentário sobre o conflito entre os alunos no fórum, a fim de apaziguá-lo (2,00), conseguiu resolver o conflito, aplicando diversos conteúdos apresentados durante o curso (2,00), foi cortez com os alunos (1,00), auxiliou os alunos frente à dificuldade (1,00), foi criativo em sua devolutiva e/ou comentário explicativo (1,00), enviou a resposta com o tamanho solicitado, 2 parágrafos (1,00), segue a ABNT para indicar referências e citações (1,00), e não comete erros de português (1,00).


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5. SOCIOINTERACIONISMO

Objetivos: Conhecer alguns dos principais Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) do Brasil, em particular, o Tidia-Ae, que está sendo usado neste curso. Relacionar a teoria de Vygotsky com a prática da tutoria em EaD.

Resumo: Na aula de hoje, estudaremos como aplicar o sociointeracionismo em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs). Para isso, descreve-se inicialmente as características deste ambiente e são apresentados alguns utilizados no Brasil, que são o TelEduc, o Moodle e o Tidia-Ae. Em seguida, apresenta-se as principais teorias de aprendizagem e aprofunda-se na teoria sociointeracionista de Vygotsky e como elas são aplicadas à educação. Finalmente, é discutido como atrelar essa teoria à prática do tutor na Educação a Distância.

Atividades: Atividade 9 e Atividade 10



5.1. AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM

De acordo com Santos (2003), Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) podem ser definidos como ambientes na web utilizados por educadores, comunicadores e técnicos em informática para o desenvolvimento de interação síncrona e assíncrona entre professores e alunos que se encontram geograficamente separados. Além disso, um AVA tem a característica de agregar diferentes ferramentas e funcionalidades que permitem o acesso a conteúdos e a realização de atividades propostas de uma determinada disciplina, dentre outros recursos. Para ser possível este aprendizado através de um AVA, é necessária a utilização de tecnologias, como o computador e a internet.

Pode-se dizer que os AVAs são softwares produzidos especificamente para a educação, seja em escolas, universidades, empresas ou organizações, e que auxiliam na realização e gerenciamento de cursos acessíveis pela internet. Por isso, eles possuem o objetivo de ajudar os professores no gerenciamento de conteúdos para seus alunos e na administração do curso, além de permitir o acompanhamento do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem dos estudantes.

Para Almeida (2003), o ensino com a utilização de AVAs significa:

1. Planejar e propor atividades que propiciem a aprendizagem significativa do aluno;


2. Disponibilizar materiais de apoio com o uso de múltiplas mídias e linguagens;


3. Ter um tutor que atue como mediador e orientador do aluno;


4. Incentivar a busca de fontes de informações e a realização de experimentações;

5. Provocar a reflexão sobre processos e produtos; e


6. Favorecer a formalização de conceitos.

 

O número de AVAs cresce a cada dia, pois a utilização destas ferramentas trouxe à EaD não só a autonomia e construção coletiva do conhecimento, mas também a possibilidade da participação ativa dos alunos, professores e tutores, além do incentivo à responsabilidade e dedicação dos mesmos para com o aprendizado.



5.2. TELEDUC

O ambiente virtual de aprendizagem TelEduc foi criado em 1997, mas o lançamento oficial do software aconteceu só em 2001, tendo de imediato grande aceitação, principalmente por instituições de ensino superior brasileiras. O Teleduc é um software livre que permite a criação, participação e administração de cursos online. Ele foi desenvolvido por pesquisadores do NIED (Núcleo de Informática Aplicada à Educação), da Universidade Estadual de Campinas (cf. Ferreira, Joice, Rocha, 2003; TelEduc, 2014).

O TelEduc apresenta uma interface simples e intuitiva, onde cada funcionalidade está presente em um ponto estratégico da página. O ambiente possui um esquema de autenticação de acesso aos cursos e os recursos estão disponibilizados de acordo com o perfil de seus usuários: alunos e formadores (cf. Rocha et al., 2011).

O vídeo a seguir apresenta as principais ferramentas do TelEduc:

  



5.3. O MOODLE

O Moodle foi criado em 2001 pelo cientista e educador Martin Dougiamas. Ele criou protótipos, ou seja, versões preliminares do projeto que foram feitas e descartadas, até 2002, quando foi lançada a versão 1.0, que se restringia a pequenos grupos de universitários. Ao longo dos anos, o sistema vem sendo aprimorado quanto aos seus recursos e seu desempenho, além de abranger atualmente vários grupos de usuários, de escolas primárias a empresas. O Moodle é um projeto de código aberto e gratuito. Além disso, Dougiamas preza por procurar sempre aprimorar o sistema focado em uma característica principal: a aprendizagem colaborativa como uma atividade social que inclui produção de artefatos, como textos, para que sejam compartilhados com outros estudantes (cf. Ribeiro, 2007; Moodle, 2014).

O Moodle possui vários recursos, que possibilitam a realização de diversas atividades. Os recursos não promovem a interação dinâmica entre usuários, pois em geral são utilizados para os alunos gerenciarem materiais e conteúdos desejados.

O vídeo a seguir apresenta as principais ferramentas do Moodle:  


 


5.4. TIDIA-AE

O Tidia-Ae é um ambiente colaborativo que gerencia cursos e atividades de aprendizado, dando suporte ao ensino presencial e eletrônico. O sistema reúne ferramentas de software desenvolvidas especialmente para ajudar alunos, professores, instrutores e pesquisadores em suas ações. Usando um navegador web, os usuários podem criar um portal que reúna suas necessidades de aprendizado por meio de um conjunto de ferramentas (cf. Tidia-Ae, UFABC, 2014).

O Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (TIDIA) foi lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em 2001, com o objetivo de transformar a internet em objeto de pesquisa.

O vídeo a seguir apresenta as principais ferramentas do Tidia-Ae:

 

 

Na UAB/UFABC, utilizamos o Tidia-Ae e nas próximas aulas você ficará mais familiarizado com essa ferramenta. Mas entendemos que, para uma EaD eficaz, a prática precisa estar unida com a teoria. No caso específico do nosso curso, utilizamos a teoria sociointeracionista e é ela que você irá conhecer mais profundamente, para que possa aplicar esses conhecimentos na prática da tutoria em EaD.

 



5.5. APRENDIZAGEM E INTERAÇÃO SOCIAL

Na educação, a aprendizagem é um fator determinante para entender como se dá a construção do saber. Para tanto, podemos definir aprendizagem como a "construção de estruturas de assimilação". Neste contexto, sabe-se que o conhecimento surge a partir daí, na interação entre o sujeito e o "ambiente". Existem dois elementos fundamentais para que essa interação ocorra e para que ela possa influenciar no modo como o sujeito apreende esse conhecimento. Eles são a motivação e a afetividade (cf. Silva, 2006).

A afetividade influencia diretamente o desenvolvimento intelectual, pois, segundo a teoria de Vygotsky, ela é o combustível que regula a interação entre os sujeitos e o meio.

A motivação surge dessa relação entre a afetividade e a interação, pois ao estabelecer relações com outras pessoas, os alunos adquirem confiança e respeito entre si, resultando numa motivação intrínseca, que faz com que surjam trocas de conhecimento.

 



5.6. A INTERAÇÃO POR MEIO DO DIÁLOGO

Na concepção sociointeracionista, o papel do professor muda. Ele deixa de ser um "transmissor" de conhecimento para ser um "gerenciador de entendimento". Neste contexto, o professor disponibiliza informações, preparando os alunos para a interação e para o diálogo. O papel do aluno também muda, pois deixa de ser um receptor passivo e passa a ser responsável pela sua atuação, além de tornar-se também um socializador de conhecimentos com os colegas (cf. Silva, 2006, pp. 260-261).

Essa comunicação "ocorre quando há pontos divergentes e posições diferentes que precisam ser compreendidas. O papel do diálogo é tão importante para interação que Paulo Freire propõe uma concepção dialógica do ensino" (Silva, 2006, p. 261).

Neste universo do ensino, entende-se que o ambiente ideal para que o sujeito se beneficie dessa interação é em um grupo de alunos heterogêneo, com níveis cognitivos diversos, pois seria no conflito que ocorreria um maior estímulo da zona do desenvolvimento proximal. Sendo assim, a forma ideal de estimular os alunos seria nas relações dialéticas e não com falsos estímulos/premiações de atividades, notas e avaliações. No caso específico da EaD, pode-se promover esse diálogo nos chats e fóruns, e se beneficiar do contato heterogêneo, que é um consenso na EaD, já que o perfil do aluno virtual é muito variado. Entretanto, um diálogo não pode surgir só nas divergências, pois na educação o aprendizado se dá nas formas mais diversas. Por exemplo, podemos citar a importância de verificar como está o processo de aprendizagem do aluno, se ele está assimilando bem o conhecimento disponibilizado; essa interação além de importante, não é conflituosa.

 



5.7. APRENDIZAGEM COLABORATIVA

Segundo Paulo Freire (1999, p. 22): "Ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção". Ele apresentou a concepção que o sujeito contribui para a formação do seu próprio saber. Ele rejeita a ideia de conhecimento transmissivo, pois, como já elucidamos na nossa primeira aula, somos indivíduos e não softwares. Assim, não fazemos download de conhecimento; portanto, não o transmitimos, nós o vivenciamos.

Para Freire, existe um processo de mão dupla de troca de papéis, no qual professores e alunos trocam de lugar, ou seja, quem ensina também aprende e quem aprende também ensina. Por isso, a aprendizagem não seria estanque e sim colaborativa, uma educação para a promoção da autonomia, que Freire define como um vir a ser, um processo, um amadurecimento.

A autonomia e a aprendizagem colaborativa têm sido muito discutidas na EaD, pois, segundo Silva (2006), as tecnologias empregadas na EaD e o apoio pedagógico utilizado nessa modalidade têm se tornado cada vez mais interativos, privilegiando o diálogo em detrimento da aprendizagem individual.

O modelo social de EaD proposto teria como objetivo transformar o processo de ensino/aprendizagem em algo coletivo, renegando o modelo de educação individualista, que é competitivo, e privilegiando a aprendizagem colaborativa e a interação social.

 

QUE ATITUDES DEVEMOS INCENTIVAR NOS ALUNOS?

"Comprometimento, negociação, troca de conhecimento, entendimento compartilhado do problema e ajuda mútua." (Silva, 2006, p. 271) 

 



5.8. PRATICANDO UMA TUTORIA SOCIOINTERACIONISTA

Depois de pensarmos sobre todas essas questões teóricas, surge a dúvida: como trabalhar uma tutoria para promover a autonomia baseada no modelo sociointeracionista?

Gostaríamos de dizer que é fácil, mas, infelizmente, não é, pois quando se trata de educação, não existem fórmulas prontas, pois as pessoas lidam com a vida de formas distintas. Desta forma, é necessário, então, que o tutor seja flexível e esteja disposto a se renovar sempre.

Algumas sugestões de ações e atitudes que você pode aplicar em sua tutoria serão apresentadas aqui. Lembre-se que são sugestões, pois o fazer pedagógico é um vir a ser, ou seja, você deve ser criativo e flexível.

A primeira questão a ser entendida é que na EaD existe uma sensação de isolamento, pois de fato o aluno está sozinho, no que diz respeito à presença física de outros alunos. Mas, apesar disso, o tutor jamais deve deixar que esse aluno se sinta sem apoio e sozinho. Ele precisa se sentir assessorado durante todo o processo.

Assim, para a promoção do aprendizado colaborativo, é essencial (cf. Silva, 2006, p.282):

 

1. Formular um objetivo comum para a aprendizagem;



2. Estimular a busca de elementos da vida real;



3. Estimular o posicionamento crítico dos alunos;



4. Dividir a responsabilidade pela facilitação;



5. Estimular recursos;



6. Promover a autonomia dos alunos.

 

E em relação à parte prática da tutoria, o lidar com os alunos, como fazer? Para se tornar um mediador do conhecimento, como vimos nas aulas anteriores, o tutor pode agir de acordo com algumas técnicas. Uma delas é o método socrático, que seria sempre responder às perguntas ou comentários dos alunos com provocações e questionamentos (cf. Silva,2006). Veja o exemplo abaixo:
 

Aluno: Eu acho que a EaD é uma forma muito democrática de educação, pois as pessoas podem acessar as aulas de qualquer local.



Tutor: Mas será que é democrática mesmo? Poder ter acesso à aula em qualquer lugar é a única coisa que torna a EaD democrática?



Aluno: Acho que a EaD é algo livre, faço o meu horário. E somos livres mesmo, mas dentro das normas.



Tutor: Será que é liberdade? O que é liberdade para você? 

 

Esses são alguns exemplos que vocês podem utilizar na sua prática de tutoria. Mas lembrem-se sempre: cada pessoa é única; portanto, não existe uma fórmula pronta. Assim, conheça cada aluno e o seu contexto. A partir dessa relação estabelecida entre vocês, aplique os conhecimentos do sociointeracionismo. As palavras-chave são: mediação, interação, relações sociais e cultura.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. ALMEIDA, M. E. B. Educação a distância na Internet: abordagens e contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem. In: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 29, n. 2, 2003, pp. 327-340.
  2. FERREIRA, T. B.; JOICE, L.O.; ROCHA, H. V. Interface para auxílio à avaliação formativa no ambiente TelEduc. Campinas: UNICAMP, 2003.
  3. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 13. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
  4. PULINO FILHO, A. R. Conte com Moodle no próximo semestre (manual do Moodle). Brasília, 2009.
  5. RIBEIRO, R. T. Desenvolvimento de módulos de controle acadêmico para o ambiente Moodle. Monografia (bacharelado em Ciência da Computação). Lavras: Universidade Federal de Lavras, 2007. Disponível em: http://www.bcc.ufla.br/wp-content/uploads/2013/2006/Desenvolvimento_de_modulos_de_controle_academico_para_o_ambiente_MOODLE.pdf. Acessado em: 06/5/2014.
  6. ROCHA, E. M.; TEDRUS, T. R.; IZIDA, A.; SOUZA, E. A.; PASCOAL, L. M. L.; SILVA, W. M. O ensino de matemática em AVAs: do Teleduc ao Moodle. In: Anais da III Semana da Matemática (SEMAT). Dourados: Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), 2011.
  7. SILVA, M. (org.). Educação online: teorias, práticas, legislação, formação corporativa. São Paulo: Loyola, 2006.
  8. SANTOS. E. O. Ambientes virtuais de aprendizagem: por autorias livres, plurais e gratuitas. In: Revista FAEEBA, Salvador, v. 11, n. 18, jul./dez. 2002, pp. 425-435.
  9. Tidia-Ae (UFABC). Disponível em: http://tidia-ae.ufabc.edu.br/portal. Acesso em: 06/5/2014.
  10. TelEduc. Disponível em: http://www.teleduc.org.br. Acesso em: 06/5/2014.
  11. Moodle. Disponível em: http://www.moodle.org.br. Acesso em: 06/5/2014.


CRÉDITOS
Autor: TEDRUS, T. R., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Dezembro de 2012.
Revisores: BALLAMINUT, N.; CARTEANO, R., FIOROTTI, S.; HERRERA, V.; SIMAS, J. P.; ZIA, I. C. A., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Maio de 2014.
 



ATIVIDADE 9

Você observou diferentes ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) e, no dia-a-dia do curso, tem se familiarizado cada vez mais com o Tidia-Ae. Agora, o desafio é que você cite pelo menos três características do Tidia-Ae que possam ser integradas à teoria de aprendizagem sociointeracionista. Escreva suas impressões de forma sucinta, justificando-as (dedicação: 30 minutos).

Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com as características do Tidia-Ae como anexo na Atividade 9 (Atividades > Aula 05 - Atividade 9).

O texto no arquivo deve ser digitado conforme a norma ABNT NBR 14724:2011: em cor preta, no formato A4 (21 cm × 29,7 cm); as margens devem ser: esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; a fonte tamanho 12, preferencialmente Arial ou Times New Roman.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: relacionou o Tidia-Ae com a teoria de Vygotsky (3,00), indicou três características do Tidia-Ae, justificando sua aplicabilidade à luz da teoria de Vygotsky (3,00), não parafraseou os textos-estímulo (1,00), foi criativo em sua apresentação (1,00), segue a ABNT para indicar referências e citações (1,00), e não comete erros de português (1,00).

 




ATIVIDADE 10

Você já conheceu um pouco mais sobre o sociointeracionismo, crie um exemplo no qual a atuação do tutor seja sociointeracionista e explique as ações tutoriais voltadas ao pensamento de Vygotsky.  Seu texto deve ter entre 10 e 20 linhas (dedicação: 40 minutos).

Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com seu texto como anexo na Atividade 10 (Atividades > Aula 05 - Atividade 10).

O texto no arquivo deve ser digitado conforme a norma ABNT NBR 14724:2011: em cor preta, no formato A4 (21 cm × 29,7 cm); as margens devem ser: esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; a fonte tamanho 12, preferencialmente Arial ou Times New Roman.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: indicou um exemplo de ação tutorial sociointeracionista (2,00), explicou as ações tutoriais baseadas em Vygotsky (3,00), não parafraseou os textos-estímulo (1,00), foi criativo em sua apresentação (1,00), enviou o texto com a quantidade de linhas solicitada (1,00), segue a ABNT para indicar referências e citações (1,00), e não comete erros de português (1,00).

Para realizar essa atividade, sugerimos que você assista a seguinte entrevista com a professora Marta Kohl de Oliveira, da USP. A entrevista completa está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=KwnIKDXeEdI.  

Caso não consiga assistir a entrevista completa, recomenda-se assistir a parte 1 e ESPECIALMENTE a parte 2.


ENTREVISTA - EM 6 PARTES

Marta Kohl - Vygotsky - Parte 1 de 6 (Introdução)
https://www.youtube.com/watch?v=UuPzIfN1iA4

Marta Kohl - Vygotsky - parte 2 de 6 (Microgênese)
https://www.youtube.com/watch?v=h9r2FwgtbP4


Marta Kohl - Vygotsky - parte 3 de 6 (Experiência com o mundo)
https://www.youtube.com/watch?v=wY6zGXL2OfA

Marta Kohl - Vygotsky - Parte 4 de 6 (Pensamento e Linguagem)
https://www.youtube.com/watch?v=py4_joXJWpc

Marta Kohl - Vygotsky - Parte 5 de 6 (Fala, Língua e Interação)
https://www.youtube.com/watch?v=bM5-H-s4pRY

Marta Kohl - Vygotsky - Parte 6 de 6 (Transição de Linguagem e ZDP)
https://www.youtube.com/watch?v=SSQfPw5hdPw
 


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3. PILARES DA EDUCACÃO E A TECNOLOGIA

Objetivos: Conhecer os quatro pilares da educação e o documento de Bologna.

Resumo: Na aula de hoje, aprofunda-se um pouco mais na EaD. Para isso, é discutida inicialmente a comunicação virtual e algumas novas regulamentações da educação, pois apesar de interagir em ambientes virtuais, a EaD não pode ser desconectada das teorias da educação. Também relaciona-se a educação com a tecnologia e, assim, debater quais são as consequências dessa aproximação.

Atividades: Atividade 6 Atividade 7


3.1 - OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO E O DOCUMENTO DE BOLONHA

Os autores do "Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional Sobre Educação para o Século XXI", elaborado em 1998 , construíram quatro pilares que consideravam essenciais para a que "a educação apareça como uma experiência global a levar a cabo ao longo de toda a vida, no plano cognitivo prático, para o indivíduo enquanto pessoa e membro da sociedade" (DELORS, 2002).

Estes quatro pilares da educação são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Eles serão apresentados em detalhes na figura a seguir.

Os quatro pilares da educação Figura 1: Os quatro pilares da educação

Nesse contexto de discussão acerca dos parâmetros curriculares da educação, sua relação com a sociedade e as instituições de ensino superior, surge também o documento de Bolonha (Hortale & Mona, 2004). Ele é conhecido como a declaração conjunta dos ministros europeus da educação, lançada em 19 de junho de 1999, que consiste na tentativa de fortalecer os laços da universidade com a sociedade europeia na relação do mundo do trabalho. Seus objetivos e metas são apresentados na Figura 2:

Objetivos e Metas do documento de Bolonha

Figura 2: Objetivos e Metas do documento de Bolonha

O documento de Bolonha, apesar de se relacionar com a União Europeia (UE), não está restrito a esse âmbito, pois outros países o adotaram como diretriz. O projeto da Universidade Federal do ABC, por exemplo, foi constituído baseando-se nesses princípios.


3.2 - A EDUCAÇÃO E O TECNICISMO

Analisando os quatro pilares da educação e o documento de Bolonha, pode-se perceber que existem alguns pontos de intersecção entre eles. Um deles é a necessidade de relacionar a educação com o mercado de trabalho. Nos quatro pilares da educação, percebe-se uma mudança no que se espera da educação, e nesse sentido, sai-se da individualidade para a coletividade. Essa mudança pode ser relacionada com o mercado de trabalho no que tange à necessidade que as empresas têm de que seus funcionários trabalhem em equipe. Essa ideia é reforçada com o documento de Bolonha, pois é notório que os novos conteúdos da educação não devem mais ser expostos de forma desconectada, tendo agora um novo propósito, que é aproximar a universidade da sociedade.

Ainda percebemos a influência do positivismo nas noções de progresso, fracasso e sucesso educacional; e também podemos percebê-la no âmbito da EaD. A noção de feedback que trabalhamos anteriormente é um exemplo, pois a sistematização e padronização dos processos leva-nos a acreditar que o ser humano é único e não multifacetado e, nesse sentido, é dada maior importância ao resultado do que ao processo.

Segundo Oliveira (2011), a questão da modernidade e de “uma violenta globalização neoliberal” empurra a sociedade para uma busca desenfreada de aparatos tecnológicos na educação e uma descaracterização da profissão do professor. Isto pode resultar em uma escola que se preocupa só com a aparência. Assim, percebe-se uma ausência de alguns itens essenciais nos documentos legais, que nesse sentido, não delimitam “sobre o que importa aprender, como e para quê. Nem tampouco sobre quem terá a responsabilidade (...)”.

O filósofo Michel Foucault (2006) diz que o saber é uma forma de poder e que umas das formas de controle social são as instituições, incluindo a escola. A escola seria um ambiente que tem como objetivo a disciplina (GALLO, 1997), baseando-se no que Foucault chama de sociedade disciplinar. Diante da leitura foucaultiana de educação, podemos pensar sobre qual educação desejamos, se construiremos sujeitos críticos e verdadeiramente autônomos, ou se reproduziremos um modelo de educação docilizada, disciplinar.

Os papéis do professor e do tutor são fundamentais para a promoção de sujeitos críticos na sociedade, aqueles que conseguem estabelecer relações e não só reproduzir os discursos. Nesse sentindo, questiona-se: devemos construir um conhecimento útil voltado somente para o mercado de trabalho ou auxiliar na construção de sujeitos livres? E ainda: o papel do tutor (de EaD ou não) seria auxiliar os alunos em seu processo de construção do conhecimento ou dar respostas prontas e fórmulas de sucesso?


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. DELORS, J. Os quatro pilares da educação. In: Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para UNESCO da comissão internacional sobre educação para o século XXI. 10th ed. São Paulo: Cortez DF MEC UNESCO; 2002. p 89–102
  2. FOUCAULT, M. O Uso dos Prazeres - História da Sexualidade II. Rio de Janeiro: Editora Graal, 1990.
  3. FOUCAULT, M. O uso dos prazeres e as técnicas de si. In: FOUCAULT, M. Ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
  4. GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. São Paulo, v. 14, n. 2, June 2000. Disponível em: http://goo.gl/RdoKLr . Acesso em: 20 Mai. 2014.
  5. GALLO, S. Repensar a Educação: Foucault. Revista Filosofia, Sociedade e Educação. Vol.1, fasc. 1, Marília: UNESP, 1997, p.93-118.
  6. HORTALE, V. A., e MONA, J. G. Tendências das Reformas da Educação Superior na Europa no Contexto do Processo de Bolonha. Educ. Soc., Campinas, 25 (88), 937-960, 2004.
  7. OLIVEIRA, L. R. Breve reflexão sobre e-portefólios em educação. In A. P. Vilela (Coord.) A Par dos Tempos que Correm. As TIC e o Centenário da República. Braga: Centro de Formação de Associação de Escolas Braga/Sul. Pp. 59-67, 2011.
  8. SHEA, V. The Core Rules of Netiquette. Disponível em: http://goo.gl/oZjgs3. Acesso em: 20 Mai. 2014. (Tradução Livre)

CRÉDITOS

Autores: BALLAMINUT, N., HERRERA, V., SANTIAGO, C. G., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Maio de 2014.
Revisão: ZIA, I. C. A., CARTEANO, R., FIOROTTI, S. Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Maio de 2014.


 ATIVIDADE 6

          Para esta atividade, leia o trecho abaixo sobre uma situação real com que um tutor de EaD deparou-se. Para preservar os participantes, os nomes dos envolvidos foram substituídos.

"Olá Anita, boa noite! Eu 'sumi' na semana passada e não participei das atividades porque fiquei (estou) mal com a situação de um dos meus 12 filhinhos peludos, o Thor. Ele é meu cachorrinho mais velho e há 3 semanas começou a ficar mais apático, rejeitando comida, com dificuldade para se levantar (...). Descobri que ele tem insuficiência renal crônica, em estágio avançado. Para você ter uma ideia da gravidade, ele já perdeu mais de 85% da atividade dos rins (...). Ele ficou em tratamento na semana passada, sem sucesso, até que na sexta-feira foi internado. Já está em casa novamente, mas ainda bem mal e precisando de auxílio para comer, andar e tudo mais (...). Então, não sei se você me entende, mas meus cachorros são meus filhos, amo muito todos eles, são minha vida. Desculpe pelas faltas da semana passada, mas realmente eu não tinha como participar (...)." Carmelita.

           Após a leitura do trecho acima, analise como você responderia a mensagem de e-mail no papel de tutor deste aluno, e que solução você daria a essa questão. Justifique sua escolha, com base no texto-estímulo dessa aula (dedicação: 30 minutos). Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com a sua resposta como anexo na Atividade 6 (Tidia-Ae > Atividades > Aula 3 - Atividade 6) .

           Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo os critérios de avaliação: Enviou texto no formato solicitado (1.00), Não comete erros de português (1.00), Segue a ABNT para indicar referências e citações (1.00), Elaborou resposta para o aluno (certa ou errada) (2.00), Justificou sua opinião com base no texto-estímulo: 4 pilares da educação e texto de Bolonha (3.00), Não parafraseou os textos estímulos (texto com autoria) (1.00), Foi criativo em sua apresentação e/ou frente às demais apresentações e expectativas (1.00)

           Bom trabalho! e qualquer dúvida entre em contato com o seu tutor.


ATIVIDADE 7

Na aula de hoje, além dos pilares da educação e do tratado de Bolonha tratamos do tecnismo na educação e conhecemos um pouco do pensamento do filósofo Michael Foucault. Para complementar, assista um trecho do vídeo "Foucault educação", com uma entrevista com o Prof. Dr. Sílvio Gallo, da UNICAMP, e comente a visão de Foucault sobre educação. Este comentário deve conter pelo menos duas características básicas do pensamento do autor (dedicação: 30 minutos).

Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com a sua resposta como anexo na Atividade 7 (Tidia-Ae > Atividades > Aula 3 - Atividade 7). O seu texto do arquivo deve conter de 5 a 15 linhas e deve ser digitado conforme a norma ABNT NBR 14724:2011: em cor preta, no formato A4 (21 cm × 29,7 cm); as margens devem ser: esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; a fonte tamanho 12, preferencialmente Arial ou Times New Roman.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: Enviou texto com a quantidade de linhas solicitada, de 5 a 15 linhas (1.00); Não comete erros de português (1.00), Segue a ABNT para indicar referências e citações (1.00); Desenvolveu texto com base no pensamento foucaultiano sobre educação apresentado (2.00); Identificou 2 características do pensamento foulcautiano (3.00); Não parafraseou os textos estímulos (1.00); Foi criativo em sua apresentação e/ou frente às demais apresentações e expectativas (1.00).

Bom trabalho! e qualquer dúvida entre em contato com o seu tutor.


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4. TEORIAS DE APRENDIZAGEM

Objetivos: Conhecer algumas teorias de aprendizagem e compreender que elas caminham em conjunto com a atuação do tutor, de modo a promover atitudes que estimulem os alunos na construção do conhecimento.

Resumo: Na aula de hoje, apresenta-se algumas das teorias de aprendizagem existentes: comportamental, social, cognitiva, sociointeracionista e significativa. Através do conhecimento dessas teorias se terá a capacidade de perceber quais delas podem combinar melhor com a forma de atuação do tutor em EaD.

Atividades: Atividade 8


4.1  APRENDIZAGEM

  Sabe-se que a aprendizagem é um processo contínuo, que pode ocorrer em qualquer situação. Nesse sentido, podemos dizer que um dos fatores essenciais do aprendizado é a cultura, pois ela molda o sujeito por meio de suas relações com o meio.

  Muitas pessoas confundem construção de conhecimento com aprendizagem. Entretanto, aprender é algo muito mais amplo, pois é a forma de o sujeito aumentar seu conhecimento. Nesse sentido, a aprendizagem faz com que o sujeito se modifique, de acordo com a sua experiência (LA ROSA, 2003).

  Entretanto, o ser humano passa por mudanças que não se referem à aprendizagem e sim aos processos maturativos, tais como: aquisição da linguagem, engatinhar, andar ou até mudanças em decorrência de doenças físicas ou psicológicas. Sendo assim, a aprendizagem é uma mudança significativa que ocorre baseada também nas experiências dos indivíduos. Todavia, para ser caracterizada como tal, é necessária a solidez, ou seja, ela deve ser incorporada definitivamente pelo sujeito.

Vamos refletir: Como acontece a aprendizagem? O que ocorre dentro do sujeito? Como funciona a relação entre comportamento e aprendizagem?


 4.2 – COMPORTAMENTALISMO OU BEHAVIORISMO: PAVLOV E SKINNER

  O Behaviorismo é uma corrente da psicologia que define o comportamento humano como resultado “das influências dos estímulos do meio”. Sendo assim, o comportamento pode ser moldado de acordo com estímulos e respostas. Podemos utilizar como exemplo aquele sujeito que recebe um treinamento específico, que o faz passar numa prova x. Todavia, esses resultados precisam ser duradouros, para que possa ser caracterizada uma mudança definitiva no comportamento. Os principais representantes do behaviorismo são: Ivan Pavlov e Burrhus Frederic Skinner.

Pavlov desenvolveu a teoria do comportamento em resposta aos estímulos do ambiente. “De acordo com Pavlov, o requisito fundamental é que qualquer estímulo externo seja o sinal (estímulo neutro) de um reflexo condicionado e se sobreponha à ação de um estímulo absoluto” (LA ROSA, 2003, P. 45). Na Figura 1 são apresentados os três tipos de estímulo:

Tipos de estímulo

 Figura 1: Tipos de estímulo

  Skinner é o principal representante do behaviorismo, pois foi ele “quem levou até as últimas consequências os princípios empiristas no estudo da aprendizagem. Para esta corrente, o ser humano se resume às contingências observáveis.” Ela trabalha principalmente com a ideia de extinção operante, estímulos, reforços (LA ROSA, 2003, P.57).
  Como aplicar essa teoria na prática da tutoria? O behaviorismo é encontrado no ensino tradicional, pois se baseia em estímulos, respostas e reforços. As notas das avaliações e elogios, por exemplo, podem ser entendidas como reforço.


4.3 – TEORIA DE APRENDIZAGEM SOCIAL: BANDURA

A abordagem da aprendizagem social foi fundada pelo psicólogo Bandura e tem algumas semelhanças com o behaviorismo de Skinner. A diferença é que “o comportamento é controlado não só pelas consequências externas, (...), mas também pelo reforço vicariante e pelo auto-reforço” (LA ROSA, 2003, P. 88).
Bandura diz que somos expostos a diversos padrões de comportamentos, mas só vamos imitá-los se tivermos reforço. No caso específico da sala de aula, os elementos mais sutis podem indicar reforços ou punição. Por exemplo: se um aluno faz uma pergunta e o professor diz que está fora do contexto num tom de ridicularização, esse é um exemplo de punição.

Existem dois tipos de reforço descritos na Figura 2.

Tipos de reforço

 Figura 2: Tipos de reforço


4.4 – COGNITIVISMO: PIAGET

  Para Piaget (Apud Lima, 1984), o desenvolvimento da mente é um processo dialético que ocorre por meio da autorregulação. Para este autor, todos os processos vitais, sejam eles psicológicos, biológicos ou sociológicos, se comportam da mesma forma. Isto significa que, diante das dificuldades de assimilação, o organismo se acomoda (modifica), e assim pode assimilar sucessivas vezes. O resultado entre a assimilação e a acomodação é a adaptação. 

  Por meio desse processo, o autor sugere uma mudança na pedagogia da época, pois diz que os alunos precisam ser desafiados. Dessa forma, caberia ao professor “propor situações que estimulem a atividade re-equilibradora do educando.” (...) “Ninguém educa ninguém: é o próprio aluno que se educa” (Lima, 1984, p. 19).

Piaget diz que o desenvolvimento mental se dá pela socialização e que a pedagogia é a arte de modificar a sociedade. Sendo assim, como educadores, de que forma podemos provocar a sensação de desafio nos alunos?


4.5 – TEORIA SOCIOINTERACIONISTA: VYGOTSKY

 Vygotsky é o fundador da teoria sociointeracionista, que pode ser dividida em dois princípios. O primeiro princípio é estudar o processo, pois o psicólogo entende que o estudo histórico do comportamento é a base de tudo.
Nesse contexto, o desenvolvimento cultural da criança somente pode ser compreendido como um processo vivo de desenvolvimento, de formação, de luta e, nesse sentido, deve ser objeto de um verdadeiro estudo científico (LA ROSA, 2003, P. 128).

O segundo princípio seria a origem social dos fenômenos psicológicos. Esse fato deve ser levado em consideração em qualquer pesquisa, pois sem ele, pode-se cair num reducionismo psicológico e social.

A teoria sociointeracionista está centrada, basicamente, no processo da mediação, que está dividida em dois tipos de elementos mediadores: os instrumentais e os signos. O instrumental é o que está entre o trabalhador e o seu objeto de trabalho. Já o signo “age como um instrumento da atividade psicológica de maneira análoga ao papel do instrumento de trabalho” (LA ROSA, 2003, P. 133).

Baseando-se nessas relações, Vygotsky diz que o sujeito constrói o conhecimento pela aprendizagem, promovendo o desenvolvimento mental, e por meio dele, deixaria de ser um animal para se tornar um ser humano. Dessa forma, tanto a aprendizagem quanto o desenvolvimento acontecem pela dialética. Na teoria de Vygotsky, o professor é visto como um mediador, pois o ser humano está em constante desenvolvimento mental e todas as suas relações são conquistadas pela mediação. Sendo assim, qual a atitude que o tutor deve ter para mediar a relação entre o aluno e o conhecimento, se baseando no fato que essa relação é dialética? Diante de uma dúvida do aluno, o tutor deve responder com provocações que o conduzam a descobrir a resposta sozinho, agindo como um mediador, um provocador de ideias.


4.6 – APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA : AUSEBEL

  A teoria da aprendizagem significativa, segundo Ausebel, se propõe a construir algo novo a partir do conhecimento prévio dos alunos, utilizando alguns meios, tais como o mapa conceitual. O objetivo dessa teoria é sempre descobrir coisas novas e promover uma aprendizagem prazerosa.

 Trabalhar com mapas conceituais é uma forma de utilizar a aprendizagem significativa. Por meio deles, podemos identificar os conhecimentos prévios dos alunos e/ou reforçar os conteúdos já adquiridos (PELIZZARI ET AL, 2002).

 O termo aprendizagem significativa foi escolhido baseando-se no fato de que a aprendizagem deve se dar a partir de um conhecimento prévio, dando assim, significado ao processo. Pois, se não significar algo, a aprendizagem se torna mecânica ou repetitiva, que é o caso da memorização. Um aprendizado mecânico é aquele que foi decorado e logo será esquecido. Já o significativo se incorpora ao sujeito, pois nele ocorre um processo de modificação do conhecimento.

 Para que o processo de aprendizagem significativa possa ocorrer, são necessárias duas condições: i) o aluno precisa querer aprender e ii) o conteúdo a ser ensinado precisa ter características significativas, ou seja, deve ser flexível para que se adapte à experiência individual de cada aluno (PELIZZARI ET AL, 2002).

 Como exemplo de como podemos aplicar a aprendizagem significativa, os elementos necessários para ele ocorrer sáo dois: querer aprender e ter um conteudo flexível.

Sendo assim, "os alunos sempre trazem alguma coisa deles mesmos para a negociação. Não são como uma tábua rasa ou um recipiente vazio que o professor deve preencher” (PELIZZATI ET AL, 2002).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. LA ROSA, J. Psicologia e educação: o significado do aprender. Porto Alegre: EDiPUCR, 2003.
  2. LIMA, L.O. A Construção do Homem Segundo Piaget. São Paulo: Summus, 1984, p 17-45.
  3. PELIZZARI, A; KRIEGL, M. L; BARON M.P; FINCK, N.T.L; DOROCINSKI, S.I.  Teoria da aprendizagem significativa segundo Ausubel.  Rev PEC. 2001- 2002; 2(1): 37-42.

CRÉDITOS

Autor: SANTIAGO, C.  G.,  Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Dezembro de 2012.
Revisão: BALLAMINUT, N.,  HERRERA, V., FIOROTTI, SZIA.,  I. C. A., CARTEANO, R., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Maio de 2014.


Atividade 8

Na aula de hoje, você observou algumas das diferentes teorias de aprendizagem. Agora, escolha uma das teorias apresentadas e explique como é possível aplicá-la na tutoria em EaD (dedicação: 30 minutos). 

Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com a sua resposta como anexo na Atividade 8 (Atividades > Aula 4 - Atividade 8. Esta resposta deve ter de 3 a 10 linhas e deve ser digitada conforme a norma ABNT NBR 14724:2011: em cor preta, no formato A4 (21 cm × 29,7 cm); as margens devem ser: esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; a fonte tamanho 12, preferencialmente Arial ou Times New Roman.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: Enviou texto com a quantidade de linhas solicitada, de 3 a 10 linhas (1.00), Não comete erros de português (1.00), Segue a ABNT para indicar referências e citações (1.00); Selecionou UMA das cinco teorias apresentadas (2.00); Relacionou a teoria apresentada com tutoria, apresentando uma utilização desta (3.00); Não parafraseou os textos estímulos (1.00); Foi criativo em sua apresentação e/ou frente às demais apresentações e expectativas    (1.00) 


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2. TUTORIA NA EAD E COMUNICAÇÃO VIRTUAL

Objetivos: Definir atribuições e competências de um tutor na EaD e a sua relevância para o bom andamento de um curso desta modalidade de ensino. Discutir a comunicação virtual.

Resumo: Na aula de hoje, são apresentadas as definições e as principais características que um tutor deve ter, em três dimensões: técnica, gerencial e pedagógica. Por fim, aprofundar-se um pouco mais na EaD, discutindo a comunicação virtual.

Atividades: Atividade 4Atividade 5


2.1 TUTORIA NA EAD: PAPÉIS E COMPETÊNCIAS

A EaD traz algumas mudanças necessárias nos papéis tradicionais dos atores envolvidos, o que requer um preparo especial do tutor,  profissional essencial neste processo educacional. Sendo assim, o tutor tem sido objeto de estudo de pesquisas e, de acordo com algumas concepções pedagógicas do curso ao qual este profissional está inserido, recebe diferentes denominações, tais como orientador, professor, facilitador da aprendizagem, tutor orientador, tutor professor e até mesmo animador de rede (BERNARDINO, 2011). Assim, fica evidente a relevância de conhecer os papéis, as competências e a importância da atuação de um tutor no processo de ensino-aprendizagem.

Em EaD o tutor desempenha papel protagonista na ação educativa, é aquele que permite e media a construção coletiva do conhecimento, ele deve garantir a qualidade da comunicação entre alunos e professores, de forma síncrona ou assíncrona, presencial ou a distância, o tutor é que deve acompanhar e avaliar a aprendizagem dos alunos (MACHADO e MACHADO, 2004).     

De acordo com Ferreira e Rezende (2004) e Bernardino (2011), o tutor é quem deve acompanhar, motivar, orientar e estimular a aprendizagem autônoma do aluno, através da utilização de metodologias e meios adequados para facilitar o processo de ensino-aprendizagem. Um bom profissional de tutoria pode ser capaz de promover o pensamento do aluno, além de incentivar e contribuir para a construção do conhecimento. Além disso, o tutor deve ser capaz de lidar com os diferentes perfis de aprendizagem dos alunos e possuir atributos psicológicos e éticos, como a maturidade emocional, empatia com os alunos, habilidade de mediar questões e conflitos, liderança, cordialidade e, especialmente, a capacidade de ouvir.
As atribuições do tutor são inúmeras, porém além de possuir um caráter de educador, estabelecido por boa parte dos cursos de EaD, deve-se refletir sobre algumas competências necessárias a esses atores, em três dimensões: técnica, gerenciaL e pedagógica, elas são detalhadas na Figura 1.

Competências do Tutor

Figura 1: Competências do Tutor

SOBRE O TUTOR NA ATUALIDADE

 De acordo com Bernardino (2011), as exigências e a formação acadêmica em seleções de tutores devem ser requisitos básicos. Porém, um direcionamento ideal de seu currículo, para uma possível seleção de tutores, ainda não está exatamente caracterizado e definido. Por isso, muitas vezes, algumas atribuições e requisitos ficam a critério da própria instituição de ensino.

Atualmente, o mercado nacional possui cerca de 40 mil tutores para quase 3 milhões de alunos da EaD (SILVA, 2013). Hoje, no meio educacional, não há mais dúvidas que a presença ativa do tutor no ambiente virtual de aprendizagem em um curso da EaD seja o principal diferenciador, pois é este ator que permite que o aluno não se sinta perdido e abandonado. Sem essa presença atuante, abrem-se lacunas para que alunos apáticos não levem adiante o processo de aprendizagem diferenciado.


2.2 COMUNICAÇÃO VIRTUAL

A EaD se dá no âmbito virtual, por se referir a diferentes formas de educação que pretendem promover o conhecimento entre pessoas que se encontram distantes fisicamente. Nesse sentido, o que conecta essas pessoas é a comunicação virtual. Com essas novas relações, os conceitos mudam e surgem novas definições de interação e espaço.

Segundo Moran (2002), este é um momento de transição na EAD, pois embora ainda predominem as interações virtuais frias (questionário, e-mail) e poucas interações online (ferramentas síncronas), já se inicia um processo no qual é possível sair do modelo tradicional de interações individuais e ir para os coletivos (interações coletivas). No entanto, apesar disso muitos problemas podem ocorrer em decorrência da comunicação virtual, pois segundo Abreu-e-Lima e Alves (2011) apenas 7% “de toda comunicação é realizada por elementos verbais”, enquanto a prosódia e a linguagem corporal correspondem aos outros 93%.

CONVÍVIO ENTRE TUTORES E ALUNOS

De acordo com Sihler e Ferreira (2011), a afetividade é inerente ao ser humano e, aliada ao desenvolvimento intelectual do indivíduo, é um dos pressupostos para o aluno se sentir motivado a prosseguir seus estudos na modalidade a distância. Em uma sala de aula virtual, o aluno precisa sentir que não está sozinho e que pode contar com o apoio dos professores e colegas.

Quando o curso não corresponde às expectativas depositadas pelo estudante, ele se sente frustrado e com baixa autoestima em relação à sua capacidade intelectual e de comunicação o que pode levar ele a deixar o curso. Para vencer essas dificuldades, o tutor deve realizar uma mediação eficiente em fóruns de discussões e chats, estimular a abertura para compartilhamento de ideias e a presença virtual constante, garantindo assim que a afetividade esteja presente nos cursos virtuais.

NETIQUETAS

Com o intuito diminuir a distância na EaD, alguns cursos adotam regras e recursos para auxiliar na interação e no bom convívio entre alunos e tutores.  Essas regras são conhecidas como as Netiquetas, que podem utilizar diversos recursos, tais como as respostas dos tutores a perguntas dos alunos e os ícones que representam emoções (emoticons - emoção + ícone). As 10 Netiquetas (SHEA, 2011) básicas são:

Netiquetas 

Figura 2: Netiquetas

Além do uso das Netiquetas, para promover uma boa comunicação virtual é preciso ter bom senso para se adequar ao contexto (Abreu-e-Lima e Alves, 2011) . É importante cuidar da coerência textual, correção ortográfica, clareza e objetividade no conteúdo.

Quando se trata da EaD, um dos recursos bastante discutidos é o retorno (feedback), pois este é uma forma do tutor fazer a mediação entre o aluno e o conteúdo. Existem vários modelos de feedback. Aqui serão tratados dois: escala de feedback e o feedback sanduíche.

Tipos de Feedback

Figura 3: Tipos de Feedback

Independente do modelo adotado, é fundamental que o aluno de EaD seja ouvido, amparado e motivado pelo tutor a participar do processo de ensino-aprendizagem virtual (ABREU-E-LIMA e ALVES, 2011).

As instituições de ensino superior que utilizam EaD devem estar conectadas com as leis que regulamentam a educação e com as discussões que permeiam a educação de forma geral. Assim, serão discutidos a seguir alguns dos parâmetros que se relacionam com a educação superior e o que se espera da educação do futuro.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. BERNARDINO, H. S. A Tutoria na EAD: Os Papéis, as Competências e a Relevância do Tutor. Revista Paidéi@, UNIMES VIRTUAL, Volume 2, número 4, Julho. 2011. Disponível em: http://goo.gl/fy6ED0 . Acesso em 15 de Mai. 2014.
  2. FERREIRA, M.M.S. e REZENDE. R.S.R. O trabalho de tutoria assumido pelo Programa de Educação a Distância da Universidade de Uberaba: um relato de experiência. 2003.  Disponível em: http://goo.gl/ZMS6TD . Acesso em 15 de Mai. 2014.
    MACHADO, L. D. e MACHADO, E. C. O Papel da Tutoria em Ambientes EaD. Congresso ABED. Abril/ 2004. Disponível em: http://goo.gl/EjvTGS. Acesso em 15 de Mai. 2014.
  3. SILVA, L. M. Mercado aquecido para a profissão de tutor online. Disponível em: http://goo.gl/ZsZm10 . Acesso em 15 de Mai. 2014.
  4. ABREU-E-LIMA, D. M e ALVES, M. N. O feedback e sua importância no processo de tutoria a distância. Proposições,  Campinas,  v. 22,  n. 2, Ag.  2011.   Disponível em:  http://goo.gl/pD52oW . Acesso em 15 de Mai. 2014.
  5. MORAN, M. J. O que é Educação a Distância?. 2002. Disponível em:  Acesso em 15 de Mai. 2014.
  6. SHEA, V. The Core Rules of Netiquette. Disponível em: http://www.albion.com/netiquette/corerules.html. Acesso em 15 de Mai. 2014. (Tradução Livre)
  7. SIHLER, A. P. e FERREIRA, S. M. B. A afetividade mediada por meio da interação na modalidade a distância como fator preponderante para a diminuição da evasão. Disponível em: <http://www.abed.org.br/congresso2011/cd/116.pdf>. Acesso em 15 de Mai. 2014.

 CRÉDITOS

Autor: BALLAMINUT, N.,  HERRERA, V., TEDRUS, T. R., SANTIAGO, C.  G., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Maio de 2014.
Revisores: FIOROTTI, S., Equipe PACC, UAB-UFABC - Santo André, Maio de 2014


ATIVIDADE 4

Com base no conteúdo da Aula 02, analise o trecho a seguir e o justifique, relacionando-o à importância do tutor na Educação a Distância "(...) a tendência da educação virtual é vir a tornar-se a forma predominante de educação - em especial na educação superior." (HERMIDA e BONFIM, 2006, p.166).

Escreva um texto apresentando a sua análise e justificativas (dedicação: 20 minutos). Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com a sua resposta como anexo na Atividade 4 (Tidia-Ae > Atividades > Aula 2 - Atividade 4). o seu texto deve conter no mínimo 10 linhas e deve ser digitado conforme a norma ABNT NBR 14724:2011: em cor preta, no formato A4 (21 cm × 29,7 cm); as margens devem ser: esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; a fonte tamanho 12, preferencialmente Arial ou Times New Roman. 

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: Enviou texto com a quantidade de linhas solicitada, 10 linhas (1.00), Não comete erros de português (1.00), Segue a ABNT para indicar referências e citações (1.00), Indicou, em seu texto, o assunto do texto-estímulo (função tutorial) (1.50), Analisou o trecho indicado (em breve, a EaD tornar-se-á predominante) (1.50), Justificou a relação entre o texto-estímulo e o trecho indicado (2.00), Relacionou o trecho à importância do tutor na EaD (2.00)

Em caso de dúvida, entre em contato com o seu tutor. Bom trabalho e boa sorte!


 ATIVIDADE 5

Considerando o tutor como um mediador, leia a atuação de um tutor, descrita a seguir, e responda se sua atitude foi adequada para a situação. Justifique a sua resposta elaborando um texto (dedicação: 30 minutos).

Mediação do tutor.

Dúvida do aluno: Prezado tutor, li a atividade da Aula 1 e não encontrei a resposta no texto. A atividade é a seguinte: "Após ler o texto da Aula 1, defina o que é Educação a Distância (EaD)".

Resposta do tutor: Prezado aluno, a resposta para esta atividade está logo no início do texto da Aula 1. A definição de EaD é a seguinte: "A Educação a Distância é uma modalidade de ensino que utiliza ferramentas síncronas e assíncronas, com o intuito de construir o conhecimento entre pessoas que estão fisicamente separadas."

Acesse o Tidia-Ae e submeta um arquivo (.doc ou .pdf) com a sua resposta como anexo na Atividade 5 (Tidia-Ae > Atividades > Aula 2 - Atividade 5), o texto com a sua resposta (bem justificada) deve conter no mínimo 20 linhas e deve ser digitado conforme a norma ABNT NBR 14724:2011: em cor preta, no formato A4 (21 cm × 29,7 cm); as margens devem ser: esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; a fonte tamanho 12, preferencialmente Arial ou Times New Roman.

Para esta atividade será atribuída uma nota de 0 a 10, sendo que os critérios de avaliação são os seguintes: Enviou texto com a quantidade de linhas solicitada, 20 linhas (1.00), Não comete erros de português (1.00), Segue a ABNT para indicar referências e citações (1.00), Elaborou resposta sobre a atitude do tutor (certa ou errada) (2.00), Justificou sua opinião com base no texto-estímulo (função tutorial) (3.00), Não parafraseou os textos estímulos (texto com autoria) (1.00), Foi criativo em sua apresentação e/ou frente às demais apresentações e expectativas (1.00).

Esperamos que aproveite este momento do curso! Bom trabalho!

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