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“Mãe, porque a gente tem que tomar vacina?” (V.2, N.8, P.4, 2019)

Tempo de leitura: 3 minutos
#acessibilidade Desenho que mostra à direita uma enfermeira de vestido azul e avental com uma seringa com um líquido vermelho na mão e três gotas saindo da ponta da agulha. à esquerda há um menino vestido de verde sentado em uma cadeira. O homem está levantando a manga esquerda da camiseta, mostrando o braço onde vai tomar a injeção.

Se tem uma coisa certa sobre crianças, é que são curiosas. Perguntas fazem parte do dia a dia e “porque sim” não é resposta! E se tem outra coisa certa sobre crianças, é que elas têm medo de injeção! E injeção e vacina são a mesma coisa? Na verdade, não. A gente toma injeção quando está doente, vacina a gente toma para não ficar. Mas nas duas têm agulha. Ai!

Há algumas semanas, avisei:

— Essa semana vamos ter que tomar a vacina do sarampo.

— Vacina? Já tomei.

— Não, você tomou a da febre amarela. Essa é outra.

A pergunta veio naturalmente:

— Mãe, por que a gente tem que tomar vacina?

— Porque a vacina protege a gente das doenças.

— Como protege?

E então me vejo diante de uma criança de sete anos que nunca ouviu falar de sistema imunológico, antígeno, anticorpo, vírus ou bactérias. O mundo que ela conhece é o mundo que ela vê. Pois bem! Segue a liberdade poética com o máximo rigor científico que fui capaz de aplicar.

— Sabe quando a mamãe manda você lavar as mãos? Porque tem sujeira? No meio dessa sujeira tem alguns bichinhos que são muito pequenos, tão pequenos que a gente só enxerga se usar um microscópio, que é como se fosse uma lupa especial. Esses bichinhos são de muitos tipos, podem ser vírus, fungos ou bactérias, por exemplo. Se um vírus entra em nosso corpo, ele pode nos deixar doentes, com dor de garganta, dor de barriga, nariz entupido… Cada bichinho pode causar uma doença diferente. Estão em todo o lugar, no ar, nos alimentos, na nossa pele. Para se defender deles, nosso corpo tem um sistema de defesa que funciona como se fosse um exército de soldadinhos. Os soldados têm trabalhos diferentes e ficam espalhados pelo corpo, principalmente embaixo da pele. Quando um soldado encontra um bichinho desses, precisa descobrir de que tipo é, capturar, destruir e avisar os outros soldados que existem invasores. O problema é que às vezes os soldados demoram para descobrir os invasores e saber de que tipo eles são, enquanto isso, ficamos doentes. A vacina funciona como um treinamento para os soldados. Ensina a reconhecer rapidamente os tipos de bichinhos e como devem ser atacados. Assim, se você tiver tomado a vacina contra o sarampo e um vírus do sarampo entrar no seu corpo, seus soldadinhos estarão preparados e não dará tempo dele te deixar doente.

— E por que tem que tomar de novo?

— Porque às vezes os soldadinhos esquecem do treinamento e aí precisamos de um reforço. Ou porque depois de muito tempo os vírus ficam diferentes e conseguem enganar de novo os soldadinhos, então eles precisam de um treinamento novo.

— E por que a vacina tem que ser com agulha?

— Para encontrar os soldadinhos, a maioria das vacinas precisa chegar embaixo da pele. A agulha coloca ela lá. Quando são do tipo das gotinhas os soldados não entendem muito bem o treinamento ou esquecem dele rápido demais. Aí precisa repetir muitas vezes. A boa notícia é que tem muito cientista pesquisando vacinas que possam entrar no corpo de outro jeito, mas ainda precisam descobrir se os soldadinhos vão lembrar do treinamento tão bem como quando a vacina entra no corpo através da agulha. Você acredita que muita gente não toma vacina porque tem medo da agulha?

— Também! Dói!

— Dói. Mas não é uma dor enorme. Tem coisa bem pior! Joelho ralado?

— Sim! E agora nossos soldadinhos estão bem treinados e não vamos ficar doentes.

— Isso mesmo!

Fontes:

Fonte da imagem destacada: Pixabay

Instituto de Biotecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos

Dráuzio Varella: https://drauziovarella.uol.com.br/infectologia/vacina/

Criscuolo et al. 2019. Alternative Methods of Vaccine Delivery: An Overview of Edible and Intradermal Vaccines. Journal of Immunology Research, https://doi.org/10.1155/2019/8303648

Outros divulgadores:

Bláblálogia: autismo e vacinas

Nerdologia: existe perigo na vacina

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