Além do POP, tem o HAP e o que essa sopa de letrinhas tem a ver com “o dia que virou noite” (V.2, N.10, P.4, 2019)

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Além do POP, tem o HAP e o que essa sopa de letrinhas tem a ver com “o dia que virou noite” (V.2, N.10, P.4, 2019)

Tempo de leitura: 4 minutos
#acessibilidade Moléculas de Benzeno, Naftaleno e Antraceno com os átomos representados por esferas e as ligações por tubos conectando os átomos. Os átomos de carbono e as ligações feitas por eles estão representadas em preto e os hidrogênios em cinza claro. Dentro dos anéis aromáticos há um círculo feito de linha pontilhada. Ao lado de cada molécula está seu nome e fórmula.

Texto escrito em colaboração com Gabriela Dias

Você se lembra dos Poluentes Orgânicos Persistentes sobre os quais falamos anteriormente? São compostos produzidos sinteticamente por nós humanos para uso na indústria e agricultura, e que são altamente resistentes à degradação, ou seja, não se decompõem facilmente. Por essas e outras características, eles se acumulam nos mais diversos ecossistemas, causando muitos problemas.

Uma classe específica de POPs são os chamados Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (HAP), que provocam um grande impacto no meio ambiente e na saúde dos seres vivos. Vamos começar desvendando esse nome…

Hidrocarbonetos são os principais componentes do petróleo, e sua combustão completa produz água, gás carbônico e energia. São compostos orgânicos, ou seja, formados majoritariamente por hidrogênio e carbono. Os átomos de carbono fazem quatro ligações (como você pode ver neste vídeo e no texto que publicamos anteriormente). Nos hidrocarbonetos, os carbonos estão ligados um ao outro formando a cadeia principal que pode ser aberta (alifática ou acíclica) ou fechada (cíclica), enquanto os átomos de hidrogênio, por sua vez, estão ligados a eles.

Os hidrocarbonetos com cadeia principal cíclica, planares, com insaturações (ou seja, os que possuem ligações simples e duplas) e que atenderem a regra de Hückel podem ser classificados como aromáticos. Erich Hückel foi um físico-químico alemão que propôs que além dos itens já descritos, para que um composto seja aromático é preciso que a estrutura tenha um número específico de elétrons que garantirá sua estabilidade nessas condições.

Estes compostos possuem uma estrutura planar, e as ligações simples e duplas trocam de posição constantemente. Esse efeito é chamado ressonância, representado por um círculo dentro do anel aromático.

O mais simples deles é o benzeno (C6H6), representado na Figura. O benzeno é líquido à temperatura ambiente, é altamente inflamável e tóxico. O naftaleno é formado por dois anéis aromáticos condensados, e sua fórmula estrutural é C10H8 (Figura). É sólido à temperatura ambiente, mas altamente volátil. Comercializado antigamente como naftalina, era utilizado como repelente de insetos. A condensação de três anéis aromáticos forma o antraceno, de fórmula estrutural C14H10, que também é sólido à temperatura ambiente, bastante volátil e tóxico.

Até agora citamos duas características que esse tipo de hidrocarboneto tem em comum:

  1. Eles são formados por vários anéis aromáticos (a exceção do benzeno, que possui apenas um anel), então são chamados hidrocarbonetos poliaromáticos;
  2. Os que vimos até agora podem te matar!

Essas cadeias poliaromáticas podem crescer indefinidamente, formando o pireno (C15H10), o fenantreno (C14H10), o coroneno (C24H12), etc, e os nomes vão complicando conforme aumenta o número de átomos.

Isso tudo te parece muito “químico”, com esse monte de estruturas, átomos e definições? Coisas que só são “feitas em laboratório”? Pois esses e outros compostos estão mais perto do que você imagina. Eles surgem na natureza, de várias formas, como nas queimadas espontâneas de florestas, nas atividades vulcânicas e com a decomposição de material biológico. 

Mas podem também ser gerados por ações do homem. Dessas, as mais comuns são a queima de combustíveis fósseis como carvão, gás natural e derivados do petróleo e a combustão de madeira, processos que ocorrem para gerar energia para atividades industriais, transporte, aquecimento, etc.

As queimadas espontâneas são relativamente raras, a maioria é provocada pelo homem. São as chamadas fontes antropogênicas (mais um nome para você pesquisar mais a fundo!1).

São o que chamamos também de queimadas intencionais. Você deve ter ouvido falar das recentes queimadas na Amazônia que causaram “o dia que virou noite” na cidade de São Paulo, na tarde de 19 de agosto de 2019… A “escuridão” foi resultado do encontro de uma nuvem de material particulado (principalmente HAPs) e outros poluentes como monóxido de carbono, dióxido de carbono, óxido nitroso e metano, com uma frente fria que veio do Sul. Você pode encontrar mais informações sobre esses fenômenos atmosféricos, e também sobre o resultados das ações do homem sobre a natureza nos links abaixo. O importante é deixar claro que as queimadas devem ser controladas e fiscalizadas.

1 Antropogênicas: formadas pela ação direta do homem.

Fontes:

Fonte da imagem destacada: Benjah-bmm27 [Public domain], via Wikimedia Commons | Benjah-bmm27 [Public domain], via Wikimedia Commons | Jynto [CC0], via Wikimedia Commons

http://agencia.fapesp.br/pesquisadores-descrevem-trajetoria-do-rio-de-fumaca-que-escureceu-sao-paulo/31280/

https://www.ecycle.com.br/2547-hpas-hpa-hidrocarbonetos-policiclicos-aromaticos

http://planetfacts.org/polycyclic-aromatic-hydrocarbons-pahs/

https://www.infoescola.com/quimica/aromaticidade/

Meire RO, Azevedo A, Torres JPM. Aspectos ecotoxicológicos de hidrocarbonetos policíclicos Aromáticos. Oecologia Brasilienses 2007; 11(2):188-201. Disponível em:

<https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/2685291.pdf>

Para saber mais:

http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=4814

https://www.bbc.com/portuguese/geral-49402577

http://blog.chemistry-matters.com/sweet-16-the-original-pahs

Outros divulgadores:

Vídeo como a AMAZÔNIA está SALVANDO VOCÊ do canal Ponto em Comum no YouTube

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