Dia Internacional do Rock: qual é o nível da relação entre rock e ciência? (V.3, N.7, P.3, 2020)

Facebook Twitter Instagram YouTube

Dia Internacional do Rock: qual é o nível da relação entre rock e ciência? (V.3, N.7, P.3, 2020)

Tempo de leitura: 3 minutos
#acessibilidade Brian May, guitarrista do Queen visitando uma instalação de pesquisa em astrofísica. Ele está parado, com capacete, e apoiado em uma estrutura de ferro do que parece ser algum aparelho de medição.

“Praticamente o rock surgiu em 1941 com um cara chamado Arthur ‘Big Boy’ Crudop, que fez a cabeça de uma criança, chamada Elvis Presley”. Essa frase, dita por Raul Seixas, talvez o maior representante do Rock nacional, mostra a natureza de resistência do som, que ultrapassa as barreiras das ondas sonoras e se torna uma expressão cultural do pós-guerra no mundo, influenciando pessoas de diferentes faixas etárias e profissões. Dentre elas, vários cientistas se influenciam pelo estilo e a contrapartida também é verdadeira: a ciência também aparece como inspiração para as músicas.

Nesse post do Dia Internacional do Rock, o Guia dos Entusiastas da Ciência vai mostrar um pouco da interconexão dessas duas realidades que se encontram muitas vezes. Eu mesmo, enquanto escrevo esse texto, escuto um rock ‘old school’ de Raulzito.

Começo essa viagem por algumas personalidades do Rock justamente por Raul Santos Seixas, que, apesar de não ser cientista, estudou filosofia e tinha grande interesse pelos mistérios da existência (assim como nós, cientistas) e escreveu algumas letras sobre esses pensamentos (quase que como uma reflexão sobre a ciência).


Quando algum profeta vier lhe contar
Que o nosso sol tá prestes a se apagar
Mesmo que pareça que não há mais lugar
Vocês ainda têm
Vocês ainda têm
A velocidade da luz pra alcançar

– “A geração da luz”, Raul Seixas


O que é que a ciência tem?
Tem lápis de calcular
Que é mais que a ciência tem?
Borracha pra depois apagar
Você já foi ao espelho, ‘nego’?
Não?
Então vá!

– “Todo mundo explica”, Raul Seixas

Outros artistas também têm fortes ligações com a ciência, bem mais diretas do que Raulzito. Um exemplo que sempre vem à tona é o de Brian May, que recentemente foi co-autor de um artigo de Astrofísica na Nature Communications, já que o guitarrista do Queen é formado em física pelo Imperial London College e tem doutorado em Astrofísica pela mesma instituição. Ainda na grande área das Ciências Naturais, Greg Graffin, vocalista do Bad Religion tem Doutorado em Zoologia, Dexter Holland, do Offspring estudou Biologia e tem Doutorado na área de Virologia, a vocalista da banda Thousand Days, Pardis Sabeti, é pesquisadora da área de Genética, entre muitos outros.

Também há os músicos que, mesmo sem formação ou atuação em áreas da ciência a usam como inspiração para músicas. O primeiro destaque vai para a quase obsessão do músico e ícone cultural dos anos 1980 David Bowie com o espaço, tendo algumas de suas principais músicas com o tema como pano de fundo (mesmo que não tratem de teorias científicas, mostram um pouco do imaginário popular sobre assuntos espaciais).

Também é possível ver a ciência sendo citada em músicas como “The Scientist”, do Coldplay, “Melhor de mim”, do brasileiro Leoni, “Do the Evolution”, do Pearl Jam. A banda de metal melódico Nightwish foi mais além e convidou o biólogo da área de genética Richard Dawkins para participar do álbum “Endless Forms Most Beautiful”, fato que irritou alguns fãs evangélicos da banda, já que Dawkins é conhecido por sua aversão às religiões.

Ainda há vários casos de músicas nacionais e internacionais que mostram esse interesse da música pela ciência e vice-versa, para encerrar citando mais dois casos interessantes: o primeiro é o álbum “Afrociberdelia”, de Chico Science e a Nação Zumbi, que tem músicas como “O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu”, “Um satélite na cabeça”, além de a banda ter o maior sucesso “Maracatu Atômico”, também com uma inspiração científica por trás.

O último exemplo é o da banda de New Wave “Oingo Boingo”, do musicista Danny Elfman, que compôs a trilha sonora do filme Weird Science (“Mulher nota mil”, no Brasil), com a principal música, de mesmo nome, sendo um dos maiores sucessos da banda.

O tema é muito amplo e talvez possa ter sido injusto com alguma música ou banda, mas é um assunto que renderia um livro. Parabéns a esse estilo de música que é mais do que somente música, é uma manifestação cultural da sociedade mundial.

Let’s rock and science, baby!

Fontes:

Fonte da imagem destacada: Gerhard Huedepohl | Crédito: ESO/G. Huedepohl

https://canaltech.com.br/espaco/guitarrista-do-queen-ajuda-a-desvendar-origem-dos-asteroides-ruygu-e-bennu-166006/

https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Musica/noticia/2019/07/rock-e-ciencia-conheca-os-roqueiros-que-tambem-sao-cientistas.html

https://super.abril.com.br/ciencia/5-lendas-da-musica-que-tambem-sao-cientistas/

Outros divulgadores:

Podcast Rock com Ciência

Podcast Dragões de Garagem #190 – Músicos Cientistas

Compartilhe:

Responder

Seu endereço de e-mail não será publicado. Obrigatório *