Tonsuritermes

Cupim da semana!

Família: Termitidae
Subfamília: Apicotermitinae

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O cupim da semana traz mais uma descoberta recente! É um cupim presente em diversos lugares da América do Sul. Que rufem os tambores… o cupim da semana é o gênero Tonsuritermes! Descrito em 2018, este gênero pertence à subfamília Apicotermitinae, e conta com duas espécies: T. tucki e T. mathewsi.

Este gênero tem algumas características especiais. A mais notável talvez seja o enorme tamanho de uma estrutura na cabeça de seus operários e alados, a fontanela. Nos soldados (de espécies que possuem soldados), a fontanela é  a fontanela é a abertura da glândula frontal, que contém substâncias utilizadas para defesa. No caso do Tonsuritermes, não sabemos a utilidade de uma fontanela tão grande nessas outras castas. Mas foi essa característica que inspirou os autores a nomearem o gênero.

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Tonsura é um tipo de corte de cabelo que alguns monges franciscanos utilizam. Inclusive, o nome de uma das espécies também faz referência à esse tipo de corte de cabelo. Se você é fã de Robin Hood, talvez você já tenha pegado gancho de Frei Tuck, amigo de Hood nas lendas, e que inspirou o nome Tonsuritermes tuckiachou parecido?!

Outra característica interessante são os pelos grossos na parte interna de suas pernas anteriores. Esses pelos se parecem com uns espinhos, e lembram (vagamente) as pernas de um louva-deus. Isso não é muito comum em cupins, e não sabemos ao certo a função desses “espinhos”, mas provavelmente ajudam a cavar, uma vez que eles vivem nos solos – mas é apenas um palpite.

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A subfamília Apicotermitinae, tem a interessante característica de não ter soldados. Os soldados possuem muitas características marcantes que os termitólogos usam para identificar e classificar as espécies, por isso, as características dos ilustres operários foram por muito tempo pouco estudadas. Isso vem mudando nos últimos tempos, e por isso várias espécies e gêneros novos dessa subfamília vêm sendo descritos. Em 2018 foi a vez do gênero Tonsuritermes. Ele foi descrito com base em características dos operários e imagos. Essas características incluíram o tamanho de partes da cabeça, o enrolamento do intestino, e a quantidade e disposição de pelos do corpo.

Mas se é tão difícil descrever esse gênero, por que duas espécies? Como exemplo de características morfológicas usadas para diferenciá-los, podemos citar o tamanho das cerdas (pelos) na cabeça, que em T tucki aparecem em dois tamanhos diferentes, e em T. mathewsi, um só. Além disso, T. tucki possui operários com apenas um tamanho de fontanela, enquanto T. mathewsi possui em suas colônias dois tipos de operários, um com a fontanela menor, e outro com a fontanela maior. Mas a resposta não envolve apenas características morfológicas, mas também geográficas. Tonsuritermes mathewsi foi encontrado apenas em áreas abertas do cerrado brasileiro, enquanto T. tucki, ocorre principalmente em florestas.

Podemos ver como descrever uma espécie pode ser uma tarefa muito árdua e complexa, e mais uma vez, o destaque vai para a contribuição de cientistas brasileiros/as para a termitologia, aumentando nossa compreensão sobre fauna brasileira (e da América do Sul como um todo), que muitas vezes, pode passar despercebida aos nossos olhos.


Texto por Gustavo Pires Matheus

Publicado originalmente em 08/05/2020


Referências:

Constantini, J. P. et al. Tonsuritermes, a new soldierless termite genus and two new species from South America (Blattaria: Isoptera: Termitidae: Apicotermitinae). Zootaxa 4531, 383–394 (2018).

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