Mastotermes darwiniensis

Família: Mastotermitidae


O cupim da semana traz Mastotermes darwiniensis, uma espécie solitária (apesar de social! ;-)). Essa é a única espécie viva do seu gênero, que por sua vez é o único gênero da sua família, Mastotermitidae. Todas as outras espécies conhecidas desta família (incluindo do gênero Mastotermes) são fósseis, isto é, estão extintas. 

Mastotermes darwiniensis é famoso por fazer parte da linhagem que primeiro se separou dos demais cupins, desde o ancestral comum de todos os  cupins. Ele possui tanto características em comum com as baratas Cryptocercus (a barata mais aparentada dos cupins), quanto com as demais espécies de cupins que existem hoje.

Nosso grande cupim M. darwiniensis é um cupim encontrado apenas no norte da Austrália e em Nova Guiné, sendo que neste último local provavelmente foi levado por humanos. Talvez você tenha pensando que o nome dele foi em homenagem à Charles Darwin, né? Mas na verdade seu nome vem da cidade de Darwin, na Austrália, onde esse cupim pode ser encontrado facilmente (a cidade sim, foi batizada em homenagem ao “pai da Evolução”).

A linhagem que deu origem aos Mastotermes foi a primeira a divergir dos outros cupins. Por isso ele é o grupo de cupins mais antigo ainda vivo. Isso é evidente, pois compartilham tanto características relacionadas com baratas-não-cupins, como colocar ovos em ootecas e ter simbiontes no corpo gorduroso, quanto características compartilhadas com os demais cupins, como colônias grandes, com castas (como soldados e operários) e eussocialidade.

Estas colônias abrigam milhares de indivíduos. Os ninhos são de madeira morta ou totalmente subterrâneos, e podem ter várias galerias ligadas por túneis subterrâneos. As galerias são boas para ligar a colônia a novas fontes de comida, levando em conta que os operários de Mastotermes não costumam sair ao ar-livre para buscar alimento.

Os reprodutores primários (rei e rainha fundadores), não são essenciais durante toda a vida da colônia de Mastotermes. Quando eles morrem aparecem vários reprodutores secundários que logo tomam o lugar dos pais. Este processo possibilita eventualmente que colônias possam se dividir ou se fundir, e acredita-se que o surgimento de reprodutores secundários facilite a endogamia (acasalamento entre parentes próximos), aumentando assim o compartilhamento de genes dentro da colônia.

Mastotermes darwiniensis, devido a suas particularidades, é muito usado em estudos que buscam elucidar a evolução dos cupins e de suas características. Ele também pode ser uma importante praga urbana e rural, e tem uma dieta bem diversificada, podendo ir desde madeira até couro. De fato, podemos perceber que é um cupim muito especial, como esperado de um cupim australiano da espécie que muitos cientistas consideram como a mais parecida com o ancestral dos os cupins.

 


Texto: Gustavo Pires Matheus


Referências: 

Goodisman, M. A., & Crozier, R. H. (2002). Population and colony genetic structure of the primitive termite Mastotermes darwiniensis. Evolution, 56(1), 70-83.

Bignell, D. E., Roisin, Y., & Lo, N. (Eds.). (2010). Biology of termites: a modern synthesis. Springer Science & Business Media.

 

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